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Flor Marginal

Não sei ser comadre, quer dizer compadre, achar tudo no outro bonito, sou sincero, mas não grosso, falo o que penso, exponho razões com a delicadeza sempre possível para não ferir pessoa alguma, tão pouco sou do tipo “espelho espelho meu” para em nada achar elegância ou criatividade, longe disso, no entanto não somos a beleza das emoções o tempo todo, às vezes somos a tristeza sem elegância dessas mesmas emoções.
Sei o quanto a grana, talento ou posição social torna tudo mais bonito e aceitável, assim um áspero e egocêntrico John Lennon foi alçado a gênio da paz pela eternidade e suas arrogâncias transformadas em “excentricidades”, assim uma pessoa chata, viciada em auto- complacência, mas cheia de grana ou talentosa é transformada em uma alma “inquieta” e sensivelmente “sedutora”.
Lennon foi um maravilhoso músico, cantou a paz e o amor, mas era grosso e arrogante, em um documentário sobre os Beatles deixa sua primeira esposa na estação de trem e segue viagem como a preocupação de quem jogou um chiclete chupado na cesta do lixo, como qualquer machista ignora a mulher como mulher e busca a fêmea tão somente a fêmea que encontrou por fim no fantasma-mulher de Yoko.
Os Beatles eram geniais, separados eram pessoas comuns de gosto e talento duvidoso, a magia só aconteceu quando eram um só corpo, uma só voz.
Machos disfarçados de homens humilham e agridem mulheres, mulheres que se permitem serem cafetinas das próprias dores e princesas dos corações em amor de vidro, mas todos estão felizes o mundo ainda vai demorar a lhes mostrar que estão nus.
Desejo ter grana, viveria melhor, se é para passar perrengues que seja com o bolso cheio de grana, mas vejo a infelicidade de muitas pessoas economicamente estabilizada, vivem cercadas de abutres, muitas nuas como um rei vaidoso, mas neste caso até a criança está corrompida e não vai lhe dizer a verdade: estás nua.
Há certa urgência para se estar em algum lugar, para ter súditos, súditos que sejam presumidamente cegos as nossas favelas internas, nossas almas concentradas na ilusão de que o céu somos nós e deus nosso fiel serviçal, enquanto do lado menos irreal da vida o cinema continua preto e branco, mas sem a poesia de Carlitos.
Sentado aqui bebendo meu Cantina da Serra, ouvindo a Tempestade, penso o quanto potencializamos as ilusões de uma vida que por si só já é ilusória, uma vida que já nasce para a destruição, poderíamos torná-las mais leve, suave, sincera, mas desgraçadamente este é o tempo da alma Credicard, do deus Bradesco capitalizando nossas emoções, dos elogios sem sentindo, da fome pelo consumo de si mesmo, da necessidade de se estar em evidência quando corpos e mentes estão flagelados na solidão e angústia.
Não se busca amigos, seu busca ventríloquos a nos aplaudir como pangarés de circo, a inteligência e cultura não nascem para servir, nasce para aprisionar e humilhar, renascemos em um apaixonante mundo digital e virtual, que estranhamente nos leva direto para a Idade Média, Santa Inquisição dos nossos dias sem nenhum Michelangelo para nos pintar o Renascimento.







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