Palavra é foda!!!

Minha mãe sempre diz que peixe morre é pela boca, mas come também e como come. Tenho observado a carência das pessoas, como meia dúzia de palavras ou um poeminha seboso faz com que muita gente entregue o cartão do banco com senha ou pule de uma ponte para provar que ama o dito ou a dita cuja.
Cruz credo. O mesmo e velho canalha de sempre jura que ama os pobres e oprimidos, desde que eles continuem pobres e oprimidos, é o herói do povo, o povão não resiste a uma boa cafungada na orelha, nada como mentir com elegância.
Mentira, tenho certeza que ouvir mentiras é tão viciante quanto contá-las. Manuel Bandeira um dos poucos poetas brasileiros já dizia há quase um século: dane-se o lirismo com hora marcada, que estava farto do comodismo e das palavras certas nas horas sempre “incertas”.
Manuel Bandeira estava certo.
Quero as palavras erradas nas horas erradas, ninguém entende mais de mim que eu mesmo e há quem busque em tuberculosos corações entender suas próprias dores, gente doente, gente perigosa.
Quero a alegria dos infiéis que vão a noite trepar no cemitério, do poema imundo e sujo de Ferreira Gullar, quero Dias Gomes mijando na cara saco-plásticos dos autores de teatros canastrões.
Adriana Calcanhotto!!! Também estou farto dos bons modos, leio José Martí e como ele também sou um homem sincero e antes de morrer quero cantar meus versos de alma.
Foda-se Dilma, Lula, Zé Dirceu e FHC, todas moribundas figuras de um país que me dá náuseas, Dane-se a copa do mundo, foda-se a seleção, meu patriotismo não está em chuteiras, pobre povo de coração raso em que a alegria se resume na merda de um gol.
Como Gibran Khalil Gibran não troco as tristezas do meu coração por alegria embriagada de marketing e propaganda do mundo. Minhas dores e alegrias são sinceras, sinto-as com paixão na solidão das minhas noites honestas.
Comoção ao por do sol, morre as margaridas, homens corações imundos festejam suas desgraças sobre os copos passivos de suas escravas, dane-se palavras elegantes, não há elegância em um país que festeja a misérias e a ignorância.
Mergulho no corpo de Lima Barreto, genial escritor convenientemente esquecido nas penumbras das bibliotecas, te saúdo meu irmão Lima, te canto até o meu último momento.
Das minhas veias jorram sangue urtiga, sou das caatingas do nordeste, um dia meu sangue cruzou com o de Lampião poeta e justiceiro dos povos esquecidos.
Não há beleza neste mar azul da Baía de Todos os Santos, tão suja águas de histórias infindas. Gritam nos ônibus coletivos negreiros trabalhadores-escravos pelas ruas da Bahia, singular Bahia como um mãe anêmica a amamentar seu filho.
Palavras e palavras: Canta o governador, o prefeito e o diabo suas glórias sobre os nossos corpos amarelos de medo.  Palavras bonitas feiticeiras como anjos em orquestras no 5 º dos infernos.
Deito ao azul celeste do meu tempo. Sá há o Deus tempo, nado nu nesta areia ácida, deixo meu corpo nu sobe o teu ventre de todo mundo, não sou escritor, sou um falso escritor, não sei de ficção, ferve minha cabeça inundada de palavras, soltas, montanha russa em mel e azedo amor.
Sou doente, patologia da palavra é a minha doença, rasgo a língua no arame enferrujado que é esse teu amor mentiroso, cretino e vadio.
Não me seduz cartas de amor, nem fotografia previsíveis, traga meu Cantina da Serra, é sábado, dia de encontrar velhos amigos no Bistrô, me deixem dormir...
Todos os demônios e anjos sirvam-se do meu corpo, Mãe preta e dos os bons espíritos de coração me ilumine o caminho, Mãe preta cobre o meu corpo quando meus braços frios estiveram em tempo de palavra alguma.

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