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A Flica e D. Cabeluda

Sábado dia 17 de outubro deste insosso 2011 estive justamente com Herculano Neto, Jorge Boris, Sérgio Damião, Dalmir Castro, Visconde e Dinho do Sebo na Flica, Festa Literária internacional de Cachoeira.
Para quem não sabe Cachoeira é uma pequena jóia Barroca-neo Clássica (não necessariamente nesta ordem) no meio do recôncavo da Bahia, entende-se por recôncavo as cidades que ficam no entorno da Baía de todos os Santos.
Além de ser patrimônio artístico nacional Cachoeira é uma espécie de Pelourinho mais bem cuidado e com ares de cidade presépio, por ser cortada pelo rio Paraguaçu seu casario colonial e bucolismo típico das pequenas cidade do interior é mais elegante e sedutor.
Chegando lá comprei logo alguns livros de poesias e providenciamos comer uma maniçoba, Jorge Boris sacou uma garrafa de cachaça, Herculano uma de campary e aos poucos fomos ficando no clima da festa, nos sentindo personagens bêbados e “vagabundos” como em Pastores da Noite do meu sempre amado Jorge, trocadilho infeliz, me desculpe Jorge Amado.
Encontramos Tiago Gato Preto, sua esposa e filho com alguns dias de vida e o poeta Marcos Peralta. Foram momentos agradáveis, um pequeno recital foi improvisado, mas meus amigos poetas de Salvador já estavam indo embora, ficou um pequeno vazio e silêncio, encontramos ainda Dado com sua esposa e mãe, foi um encontro rápido, queríamos a Flica, estávamos à procura da grande feira de literatura.
Notei que havia só uma escola presente no evento, uma escola aqui de Santo Amaro, a Milenium, havia mais escritores que público, havia uma enorme tristeza literária no ar, a literatura estava presente, mas não havia vida, como se tudo ali fosse um romance a espera de algum leitor que lhe desse vida, havia poucos órgãos de imprensa na cobertura do evento, lembrei que estava na Bahia e a festa era literária e não um medonho e repetitivo carnaval sem arte ou cultura, mas com um povo que sente-se bem em celebrar o vazio, a alegria por decreto estabelecido por um rei momo tosco sentado no palácio de Ondina, sede do governo da Bahia.
Aos poucos fomos ficando tristes, até que Herculano teve a ideia de irmos ao Brega de Dona Cabeluda, ou como ela mesmo disse: Cabaré.
Dona Cabeluda é um velinha simpática e educada, no seu estabelecimento de diversão dedicado ao “amor” datado e tabelado há um ar de fim de festa, uma embriaguez continuada, uma tristeza nas meninas, embora tudo esteja repleto do cheiro gostoso da putaria, a mais genuína putaria baiana com gosto de pimenta e dendê.
Enfim encontramos a Flica no brega de Dona Cabeluda, um lugar que a poesia vem da emoções rápidas de cada programa, no qual provavelmente nem Castro Alves ou Jorge Amado entraram um dia.
Não comemos ninguém, trocamos ideias com todas meninas, desconfiadas de um monte de pessoas jovens e com jeito (na ótica delas) de policia civil que queriam falar e não trepar, o mais perto de sexo que ficamos foi (não direi o nome) um poeta amigo que quis, pasme, pagar R$ 10,00 para ver uma das meninas nuas por um minutinho, ela não quis. Tolerância a homens sujos e bêbados vá lá, mas a fantasias sexo passiva  de poetas durões nem pensar. Ta pensando o quê meu filho isso aqui é uma xoxota de carne, osso e aluguel a ser pago não um cordel de Jorge Amado. Deve ter pensado a menina, por sinal linda.
Anoiteceu em Cachoeira, voltamos para casa, sem encontrar a Flica, mas felizes e levemente embriagados, ao chegar a Santo Amaro ainda bebi umas duas no Chapéu de Palha. A Flica pode e deve um dia ser uma grande celebração, mas o seu vazio reflete o vazio educacional e cultural de todo nordeste, de um lado escritores academicistas sonhando com a eternidade literária, do outro os poetas sujos com o gosto e alegria das ruas, indiferente a tudo os analfabetos por vocação senhores dirigentes dos estados, no meio D. Cabeluda dando a receita da felicidade: “Sexo você pode pagar, amor nunca, não tem preço”
Ps-Na foto eu e Dalmir bebericando nossa literatura em Cachoeira.






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