O gênio esquecido


Alfredo Oliani (1906- 1988) nasceu, viveu e morreu em São Paulo São Paulo, Foi um notável escultor, mas suas obras mais importantes não estão em um museu, estão no cemitério de São Paulo.
Como notamos pelo período do seu nascimento e morte Oliani foi testemunha de inúmeros movimentos de vanguarda, da Semana de Arte Moderna ao Tropicalismo, embora não esteja ligado, ao menos diretamente ou para historiográfica oficial, a nenhum deles
Oliani notabilizou-se pela arte fúnebre, suas magníficas esculturas fogem do senso comum artístico e transforma uma simples sepultura em um estado de êxtase artístico, por isso mesmo penso que alguns desses trabalhos deveriam ficar em um museu protegido, por outro lado expostas em um cemitério são vistas por milhares de pessoas, e dado a grandeza das obras não há dor que torne suas presenças ali indiferentes, embora isso não signifique contemplação já que na maioria das vezes a dor leva as pessoas aos cemitérios e não a arte.
Mesmo sendo um artista espetacular, obras Alfredo Oliani parecem esquecidas ou renegadas ao plano do mero decorativo e podem algumas serem encontradas até mesmo no Mercado Livre, como é o caso da belíssima Funeral Do Herói, que só não comprei por obvies problemas financeiros, meus é claro.
Não pense que as obras de Alfredo Oliani são sombrias ou carregadas de dor, não são: Sensualidade, nudez, sedução feminina e beijos ardentes fazem parte da maioria das suas obras, parece que Oliani queria transformar a morte em um espetáculo de vida, através da sua arte deixou marcas de vida no lugar em que tudo sugere morte.
A arte tumular, como é chamada esse seguimento de artes para cemitérios, é riquíssima no Brasil, mas talvez o preconceito e falta de informação afaste as pessoas de contemplar  sem receios o que de melhor temos em esculturas e construções espalhados pelos cemitérios do país, na Europa muitos cemitérios são visitados como museus ao céus aberto como o Père Lachaise que é um dos pontos turísticos mais visitados da França, no Brasil além do preconceito, a arte tumular não tem mais o vigor de antes, ela também registra o apogeu e queda das famílias mais ricas e requintadas do país, hoje tudo se resume a uma pequena lápide ou uma insossa cerimônia de cremação.
QUIS PULUIS ES ET IN PULVEREM REVERTERIS.
Lembra-te, ó homem, de que és pó e ao pó hás de voltar.
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