Distância e felicidade

Segue os dias e a medida da distância para ser feliz me parece à medida de com qualquer outra pessoa compartilhar só o necessário. Cada um tem seu ideal de necessário, eu tenho o meu e nele cabem pouquinhas coisas e um ou dois corações que o meu bate feliz quando encontra.
Uma pequena palavra que vira terremoto, um besteira que se ergue como se fosse a descoberta do verbo por um mudo, um abraço azedo ou um ri sem sentido, o mistério da permanente felicidade e a terrível briga de egos me levam ao auto-exílio.
Celular ligado só o suficiente para o trabalho, e-mails quase nunca respondidos, cultivar meus pés de mamãos, brincar na Purificação com minha filha, escrever sem compromisso cartas soltas sem leitores definidos.
Tenho perdido o interesse por feedback, na verdade tenho até medo quando o telefone toca, o silêncio me consola e já tenho um bom relacionamento com a solidão.Ser inconveniente me apavora o espírito só em pensar, por isso tenho o costume de não ter agenda telefônica ou platonismos desnecessários.
De certa maneira há uma ilha que também é segurança, meus idealismos foram deixados de lado, o dia seguinte ao idealismo é a cara batida contra o muro da realidade, e dessa cara quebrada pode-se nascer mil novas sensações, eu prefiro ficar quietinho.
Não me coloco e nunca me coloquei como centro de coisa alguma, penso até que sou um bom coração, mas é chegada a hora de me esquecer um pouco no que não sou ou pensei ser. Fazer literatura e me apaixonar por uma bibliotecária seriam ótimas coisas a serem feitas, mas não há bibliotecárias em minha cidade e minha literatura desce a ladeira do comum e lá certamente vai desaparecer, mas enquanto isso não acontecer ela consola meus dias e quieta minhas variações de humor que sempre grita entre graves e agudos.
Nada disso me causa angústia, sou bem resolvido, no mais há sempre coisas diferentes todos os dias, o mundo é muito além de mim para que eu me coloque como algo razoável nele, sou coadjuvante, filme B e papel silêncio. Não há nada de pessimismo nisso ou sentimento de derrota, são coisas simples de olhares simples de quem se olha além do espelho do quarto.
Ficarei uns seis meses ou até mesmo um ano sem beber cervejas, isso sim é foda, aguentar esse estado permanente de devassidão coletiva sem um delirizinho se quer. Preciso ir à praia, esses dias de chuva tudo fica calmo por lá, preciso respirar oxigênio puro, olhar os caranguejos, as marisqueiras na labuta pela vida, sentir-me perto do céu, nos baços da alegria que é o azul aos olhos.

  






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