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E o tempo sempre leva

Essa sede de mim me seca e fico assim ao sol desse tempo de nunca encontro comigo, beber do que sou, ter na porção Deus de mim meus momentos vida em frágil balanço desse amigo coração meu é também uma maneira de ser deus absoluto e sem piedade, na grave severidade de estar e não ser vomitar a poética nunca lida desses dias.
Talvez tudo apenas poema ou pó que de morto nos leva longe por tantas ruas. Mas deixe de bobagem e faça um oral com gosto de amanhecer, já já amanhecemos e fica tudo perdidamente sincero. Não sejamos tolos, nenhuma beleza sobrevive à luz do dia assim como nenhum mal se eterniza só na escuridão.
Na impossibilidade de pegar um disco voador ou mudar para outro país vou afundando em minhas próprias paixões, algo meio dor, meio sal e pimenta, mas ao longe talvez aja aquela velha alegria de viver para além de qualquer mal.
Gosto da imagem do algodão doce, da lisérgia infantil daquelas cores e na ilusão que ele trará algum alento para a fome, o algodão doce é a ilusão que nos encanta por ser delicada, metáfora perfeita para vida que nunca é e pensa sempre que pode ser.
Esses dias tenho ficado muito em silêncio, meu aparelho de som queimou, pouco ouço música, mas me trancarei no estúdio “Das Pitangas” por duas ou três semanas com Celino, vamos regravar poemas e canções, que alegria me deu o Celino, brincarmos de estrelas quando tudo é concreto e cimento endurecido em nossas línguas.
Neste instante estava sentado no jardim caiu sobre meu colo a primeira rosa, logo a primeira fruta, não demorou muito o sol ardia nos meus olhos e por fim folhas secas sopradas em valsa acaso, olhei no espelho e não me reconheci, lembrei dos meus encantados na distância do sertões da minha vida.
Convido você a ler isso: “Parto com o ar... Sacudo minha neve branca ao sol que foge, Desfaço minha carne em redemoinhos de espuma, Entrego-me ao pó para crescer nas ervas que amo, Se queres ver-me novamente procura-me Sob teus sapatos” texto Walt Whitman - Tradução Monteiro Lobato.
O inverno este ano parece ter namorado a primavera no nordeste, tudo frio e cinzento tudo parado, o tempo em sonolência, essa não vontade de estar e o desejo de corpo apenas para o abraço tomam conta de tudo.

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