Todos são mortais

Por que minhas Rosas Negras ficam analfabetas? Morrem em terra seca e sem esperança? Por que o medo sempre está neste meu Jardim? Por que o horizonte das minhas Rosas Negras é sempre tão triste?
Por que minhas queridas Rosas Negras são sempre as drogadas, bêbadas, prostitutas ou delinquentes? Por que são sempre as Rosas Negras as erradas? As que são deixadas ao acaso? Por que a religião das minhas Rosas Negras é a religião do demônio? Por que apontas com teu dedo preconceituoso e imundo para meu Jardim de Rosas Negras?
Minhas Rosas Negras, em nome do Deus Tempo eu vos saúdo. É possível sobreviver a delinquência do estado que se nutre do nosso sangue trabalhador, muitas vezes levam nossos corpos para cama de pregos e espinhos, muitas vezes jogam nossos nomes na lama da injúria, mas é preciso ser forte, se preciso morrer morre, mas não recuar, não abrir mão do direito de cultivar no jardim da cidadania nossos próprios sonhos.
É impossível ser feliz com o mal, o mal se nutre do próprio mal, mas dia menos dia o mal também morre, porque o mal diante do bem não resiste ao Tempo, o Tempo bate a porta de todos com a conta a ser paga e nesta hora a verdade grita a nossa cara: são todos mortais! E se somos mortais todos podem sentir dor, adoecer e morrer.
A dor não é exclusividade nossa, a natureza é a excelência da vida, jamais criaria rosas frágeis para no jardim serem de outras tantas rosas escravas eternas da dor e humilhação. Nosso jardim pode ser de todas as rosas e cores, ter harmonia e civilidade social. Na diferença, tendo possibilidades iguais é que se faz um jardim sem dor, sem a vida refém da agonia e da falta de esperança.
Não somos feios, não somos preguiçosos, não somos criminosos. Minhas Rosas Negras não se sintam menores, um dia nossa terra será verde como a esperança do bem, nosso sol amarelo e verdadeiramente de todos e não como essa luz triste a nos cegar os olhos, nosso céu azul e acolhedor diferente desse céu cinza e opressor, nossa alegria branca como a paz que tanto desejamos.
O que parece uma derrota hoje, pode ser na verdade um momento de vitória e conquista, depende de como olhamos o prisma da questão, por isso não lamentem a solidão, ou a aparente humilhação. Minhas Rosas Negras, a aparente derrota desse dia nos chama ao aprendizado, a reflexão, olhem para frente, segue o horizonte, não deixem vossas mãos estendidas para quem “ama” por algum sentimento que não seja o próprio amor.
Não lamentes amizades perdidas, pessoas que partiram, não sejam vassalos nos corações dos reis, não se alegrem com a desgraça alheia, não devida teus momentos de paz com os espíritos de porco e corações de rato. Os que ontem gritavam contra o mal hoje são seus aliados e tramam contra nossas vidas, por isso pensem bem antes de chamar alguém de amigo ou de amor. Amigo e amor são palavras mágicas para serem ditas aos corações fúteis e baratos deste mercado de horrores que é a dita sociedade civilizada.
Minhas Rosas Negras, escutem a voz dos vossos corações, não sois, como escreveu Charlie Chaplin, máquinas. São capazes de ir além, não aceitem migalhas enquanto os poderosos vivem de vomitar sobre a ruína das vidas de milhares de pessoas o excesso dos seus banquetes, não somos feitos para dor, há sempre a possibilidade de recomeçar, de conquistar o nosso mundo desejado.
A arma para fazer derrotados em massa é sempre a mesma: fazer-nos crer que somos incapazes, dependentes de lideres e heróis a dizer o que devemos ser ou fazermos, deixar nossos espíritos na eterna infância dependente de verdades que não são nossas. Esquece-se assim como se diz não, questionar e principalmente: temer a autoridade pública quando ela deveria ser tão somente respeitada.
Enquanto toda sociedade padece de alguma doença seja ética ou clínica ouvimos sempre os mesmos discursos moralistas e dementes, para mim pouco importa o que alguém faça da sua vida pessoal, pouco me importa crenças e vícios pessoais. O que importa é minha e a sua contribuição para toda sociedade e não a vida pessoal ou a mesquinharia de conversas sem sentido em que cada um defende o demônio que mais afagos no momento pode fazer. Não há crenças no bem estar, há interesses pessoais que se nutre do flagelo social.
O sistema político do país é conivente com a dor e barbárie social na qual vivemos a trágica odisséia do povo rumo ao matadouro organizado e mantido pelo Estado brasileiro. o Estado mata a si mesmo quanto mais as Negras Rosas do povo.
As rosas mais frágeis dessa triste odisséia estão reféns da ilusão que são livres, vivem em favelas, são subempregados, suas comunidades são ocupadas por agentes do estado quando o estado os negou durante anos educação, saúde e segurança. Agora lhes impõe a força da ordem e não a estabilidade da segurança. A maioria dessas frágeis Rosas talvez nem saibam de onde vem tanto sofrimento, mas ele está aqui, maquiado, aparentemente ausente, o sofrimento está aqui, leva nosso perfume, impões suas cores e principalmente ceifam a vida dos nossos brotos, como se não nunca tivessem nascidos, tão pouco tivessem o direito de viver.
Contatos: ediney-santana@bol.com.br, http://edineysantana.zip.net








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