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Será mesmo o amor?

Há uma canção cantada pela dupla goianiense Leandro e Leonardo que diz: “Não aprendi dizer adeus/mas tenho que aceitar que amores vão e vem/ são aves de verão”. Acontece que nossas emoções não são estabelecidas por decretos, a metáfora do amor como “aves de verão” pode funcionar para muitos, mas há outras tantas aves encantas por sentimentos incertos, cantam repetitivos versos independentemente da sinfonia em que talvez sem perceber execute um opus para corações surdos.
 “Não aprendi dizer adeus”, são doloridos versos para muitos corações desejos de partir para viverem outras tantas possíveis emoções.
Não acredito que duas pessoas se gostem na mesma intensidade, tão pouco deixem de se gostar em sincronia de sentimentos. Há o gostar, todos nós sabemos, que por vezes acaba for transformar-se em dependência, quem depende emocionalmente de outro não sabe dizer adeus, tende a ser prisioneiro e prisão.
Dizer adeus por outro lado não é esquecer, negar uma história vivida a dois, mas saber que para não macular essa mesma história chega um momento que o melhor caminho é ir, dizer adeus, abrir os braços ao mundo que lá fora chama para novas outras emoções.
Mesmo em separações ditas amigáveis, alguém sempre há de não ser com os próprios sentimentos algo de amigável. Sempre há alguém a sentir-se traído, injustiçado, machucado e por fim ter a ilusão que sua vida acabou, como em uma canção de Maysa a dor se revela embriagada, passa por uma catarse que não purifica, mutilação que também pode ser mais que dores ébrias em solitários espasmos de inanição emocionais.
Ter no outro o espelho da própria vida, recusar-se a viver longe desse outro e por fim chantageá-lo, fazê-lo sentir-se culpado por aquilo que a pessoa tornou-se, ou pela vida escolhida é quase sempre caminho seguido pela chantagista emocional, que não deixa de ser alguém em desequilibro e carente de atenção psicológica.
Fazer o “grande” amor da sua vida, o irmão maravilhoso e espelho que outro não tão maravilhoso ou talentoso sempre desejou ser, o amigo que conseguiu ser tudo aquilo sonhado na juventude sentirem-se culpados por crises, dores, angústias ou tentativas de automutilações, não deixar que essas pessoas respirem, façam planos ou amem a quem quiser é a maior estratégia do chantagista emocional, fazer o outro sentir-se culpado, o chantagista viciado em dor quer que seu objeto de admiração também a sinta, um dor que não é sua e assim mantê-lo cativo no limbo de ações sem afeição.
Tentativas de suicídio, tomar a guarda dos filhos, infernizar a vida com telefonemas na madrugada cheios de dramas e promessas de servilismo ao extremo. Idealizar no outro aquilo que se deseja ser, buscar nos braços desses outro, na alegria, no sucesso ou no amor tudo aquilo desejado por si é algo de perigoso e complexo de lidarmos.
Não sei como isso tudo começa, mas todos nós sabemos como pode terminar, saber lidar com essas coisas não é algo fácil, também, não sei de culpa ou culpados, mas na variação dos dramas emocionais algo tenho certeza, para todos os lados voam pedaços de vida saber junta-los e re-começar é a única questão.
Ps- Escrita ao som da belíssima “ É o amor” com Zé de Camargo e Luciano.





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