sábado, 17 de dezembro de 2011

Casinha de Lata

Sempre gostou de flores, mas nunca as teve. Sonhava em casar cercado de flores. Nunca se casou.
Tentou cultivar flores em seu pequeno quintal, nada nasceu.
Tudo é apenas o traço do nada em sua vida de uma nota só. Em sua casinha de lata fez gravuras, recortou flores em jornais e revistas velhas.
É colorida sua casinha. Colorida apesar do ar sombrio. Tudo é árido. Só o desejo de flores o redimia.
Ao catar lixo em um aterro foi estuprado por um sujeito gordo e branco.
Mergulhou em uma tristeza sem fim, matou-se no verão seguinte... Tristeza e vergonha na sua fina vida.
Em seu túmulo apenas uma tristonha e mal feita coroa de lata e papel.
Contatos: ediney-santana@bol.com.br ou http://edineysantana.zip.net

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