Casinha de Lata

Sempre gostou de flores, mas nunca as teve. Sonhava em casar cercado de flores. Nunca se casou.
Tentou cultivar flores em seu pequeno quintal, nada nasceu.
Tudo é apenas o traço do nada em sua vida de uma nota só. Em sua casinha de lata fez gravuras, recortou flores em jornais e revistas velhas.
É colorida sua casinha. Colorida apesar do ar sombrio. Tudo é árido. Só o desejo de flores o redimia.
Ao catar lixo em um aterro foi estuprado por um sujeito gordo e branco.
Mergulhou em uma tristeza sem fim, matou-se no verão seguinte... Tristeza e vergonha na sua fina vida.
Em seu túmulo apenas uma tristonha e mal feita coroa de lata e papel.
Contatos: ediney-santana@bol.com.br ou http://edineysantana.zip.net

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