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A escola pública e a dor também

Durante as eleições para diretores escolares este ano na Bahia, muitos professores (as) candidatos aos cargos demonstraram um amor pela escola, colegas e alunos que nem durante todas suas carreiras de servidores públicos conseguiram demonstrar.
Do dia para noite aconteceu uma explosão pedagógica de amor e ternura pelos alunos e colegas, tudo isso no bom e velho palavrório despótico como acontece em qualquer eleição. Promessas distantes da realidade, verdades criadas e não raro despreparo emocional para gerir uma escola e todas suas contradições, já que durante a campanha o que mais se viu foram xingamentos, reuniões canhestras nas quais estavam quase sempre em pauta o ódio, desprezo pelos concorrentes e colegas de trabalho que não se deixavam amar pelo vazio amor eleitoral ali declamado com o entusiasmos que só analfabetos emocionais tem, não se ouviu em momento algum debates fundamentados nas questões escolares.
São poucos os professores que colocam seus filhos em escolas públicas, gostaria muito de ver então os candidatos a diretores e vices matricularem seus filhos nas escolas que trabalham, assim esses profissionais do magistério público estariam dizendo a toda sociedade que confiam no sistema escolar o qual são eles a “mola” mestra.
Vamos lá diretores e diretoras com seus vices, matriculem seus filhos na escola pública que vocês tanto amam e querem gerir, provem o amor por essa escola depositando nela a confiança de educar seus filhos como tantos outros pais e mães fazem todos os anos. 
Se muitos professores e professoras não matriculam seus filhos nas escolas públicas que eles mesmos trabalham para mim o motivo é: a escola pública é tão ruim que nem seus servidores acreditam nela, mas se não acreditam nela por que querem gerir uma intuição desacreditada? Desacreditada até por eles mesmos?
Sinceramente, como acontece na política partidária, infelizmente acontece dentro das escolas também. A maioria dos professores e professoras vivem refém de um sistema diretivo cretino e imoral que sufoca a voz dos mestres e condena alunos e alunas a um aprendizado fraco e desconectado com a realidade.
A disputa de poder por grupos nas escolas excluem os bons professoras e professores que há décadas pedem melhores condições de trabalho, atendimento médico e psicológico decentes, atendimento psicopedagogico para os estudantes, um sindicado atuante e livre de influências políticas partidárias entre tantas outras reivindicações. No entanto pouco ou nada disso se discute, a única coisa importante para a maioria dos candidatos a dirigentes é o “estar” gestor, o “estar” nos cargos e para isso colegas de trabalho como porteiros, merendeiras, agentes de limpeza e professores são transformados em pessoas escadas e mais nada.
Lembrando ainda que na maioria das vezes porteiros, merendeiras, agentes de limpeza e de segurança são invisíveis aos olhos dos demais servidores das escolas, a escola que deveria combater as desigualdades sociais e trabalhistas em muitos casos reproduz de forma acentuada e impiedosa o mesmo desprezo que a sociedade nutre por esses trabalhadores.
As eleições diretas para dirigentes escolares na Bahia foi a única coisa produtiva e real do governo Wagner em educação, tudo mais não passou de propaganda e consultorias caras e inúteis, ou ainda programas faraônicos para mimar egos e bolsos de prefeitos irresponsáveis ou aumentar cargos em comissão.
É lamentável que o ódio pedagógico seja a grande proposta que muitos futuros gestores de muitas escolas públicas tenham deixado no processo eleitoral deste ano. Claro que há pessoas preparadas para assumir cargos executivos, pessoas com propostas objetivas e conscientes do papel que cada um tem dentro de uma escola, respeitam os colegas, sabem ouvir, pessoas que não transformam a estabilidade do serviço público em imunidade para sandices e negação do que melhor se espera de um professor: o respeito a si mesmo e a profissão que por ele foi abraçada. Só quem se respeita pode respeita o próximo. E muitos professores são desrespeitados dentro das escolas ora pelo estado e município, ora por gestores irresponsáveis e ora pela própria sociedade que só enxerga como alguém “importante” os endinheirados ou poderosos.
A situação dentro das escolas públicas é grave e não vejo na maioria dos atores envolvidos no processo desejo de resolver essa situação, o governo não tem planos ou metas pedagógicas, o governo trabalha com infames consultorias que vendem ilusões como se vende bugigangas em lojas de R$1,99, consultores montados em seus mestrados ou doutorados sem conexão com a vida prática, palestram, vendem manuais inúteis, ficam ricos e deixam para trás uma escola cada vez mais pobre, menos viva e profundamente triste.
Mesmo com tantos problemas, a eleição direta para gestor escolar é uma avanço, candidatos mais bem preparados vão surgir nas próximas eleições. Se esse ano muitas coisas constrangedoras aconteceram como prefeitos e dirigentes da Sec. apoiando abertamente candidatos e perseguindo a oposição, tenho certeza que no futuro esse maravilhoso instrumento democrático será melhor utilizado.






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