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Os chifres do diabo

Dizem que o Diabo tem chifres e os filhos de deus asas como anjinhos barrocos. Não conheço pessoa alguma que se declare ruim, como escreveu Fernando Pessoa no Poema em Linha Reta, todos são grandes virtuosos na vida.
O Diabo não tem chifres, quem tem chifres são os filhos de deus, o Diabo vive no inferno carente de almas já que quase todas por aqui se declaram religiosas e tementes a deus, o Diabo vive na solidão dos infernos com sua família, o Diabo não enfeitava a parede da casa de Hitler, certamente Hitler que ostentava um bigodinho que mais perecia um xibiu mal raspado, temia a deus como Cristo a cruz.
Meu amigo Cleu, sempre diz: tá vendo se essas pragas não morressem? Estaríamos fodidos e passado o recibo. As entrelinhas dizem muito, especialistas em tudo dizem como nossas vidas devem ser, o sul do país diz que nós somos “Paraíbas”, não é racismo é xenofobia mesmo, mas quando um sulista chega por aqui nos jogamos na poça da lama para que eles não sujem seus pés nas nossas misérias.
Sempre achei um “milagre” do imperialismo português e toda sua selvageria falarmos a mesma língua, a mesma língua que nos une é a mesma que nos serve a infâmia, mas pense comigo: já pensou se no sul do país a língua vernácula fosse o castelhano e nós aqui com o nosso português? Além de “Paraíbas” nos chamariam de bárbaros por falar uma língua menor, como se a língua portuguesa fosse uma língua menor, pelo contrário é uma das mais belas do mundo.
Na Bahia se alguém falar que o governador Wagner peida correr o risco de ser preso, o PT nos mostra o quanto um peido idealizado pode feder mais que um dado. Os chifres do Diabo nunca estiveram tão caidinhos.
Gosto de dizer a palavra PORRA!!! Nada mais deliciosamente nordestino que uma sonora PORRA!! Quer saber de uma coisa? Mande quem você não gosta para a porra. Estou lendo, sentindo dores, frio e não estou triste, gosto de vinho e acarajé da Ana, mãe do Serjão, o melhor acarajé da Bahia, mas não posso comer acarajé (bolinho de comer) esses dias, abusei do meu estômago, agora puta que não pariu... Antibióticos e sopinha.
O Diabo tem os dentes cravados a chumbo, deus dentes postiços, é conveniente para deus e seus filhos trocarem a dentadura a depender para quem tenham que sorrir, o sorriso de deus e dos seus filhos da puta é pura conveniência.
Tudo que é bandido agora quando é preso diz ser cristão e frequentar igrejas, desde quando ser cristão ou ter qualquer religião no peito asmático é salvo-conduto? O que não admito é que cretinos usem de um livro supostamente santo para sair mais cedo da cadeia.
Cazuza, mauricinho elevado a condição de poeta sem nunca ter escrito um poema, certa vez disse: mulher que só teve um homem na vida é virgem. Será? Há as damas do lotação que traem os maridos para provar que os ama e há os canalhas que usam as mulheres como cabides para enfeitar festinhas de amigos chatos, mas suas amantes frequentam motéis de dois mil reais, com eles ou sem eles.
Maior que o amor é o acostumar, perde-se o tesão, a cama é quase uma geladeira, o silêncio é o maior diálogo, mas o acostumar faz a vida do infeliz casal ser eterna enquanto a morte não os separe. Como podem passar sem um beijo lascado? Sem uma língua nervosa? Sem um chupar de corpos? Sem a delícia da fome que nunca tem fim?
Vi hoje a mensagem de final de ano da Globo, com aquela musiqueta enjoada (Nossos sonhos serão verdade/ e o futuro já começou/ hoje a festa é sua/ de quem vier) composta pelo duble de compositor e escritor Nelson Motta que os globais chamam de Nelsinho, cantada pela voz de taquara rachada do rei das rugas esticadas Roberto Carlos. Prestei bem atenção, quase não há negros entre os atores e atrizes que aparecem na mensagem, é um branqueamento que irrita os olhos. Nada contra os brancos, mas será que neste país não há um negro com competência para apresentar um programa infantil? Um Mais Você? Um jornal Hoje?
Estou cansado, preciso de sexo, água mineral, duas aspirinas, créditos no celular, um emprego melhor e uma cama tranquila para dormir. Os chifres do Diabo nunca estiveram tão caidinhos.










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