segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Selton Mello no papel principal

Sempre compro discos antigos no Sebo do Dinho, aqueles discos tipo: Década explosiva, músicas italianas dos anos de 1960 e coisas afins. Gosto do som envelhecido e das melodias tristes e não vejo mau gosto em nada disso.
Tornei-me obsessivamente caseiro, e quase tudo me chega pelos livros e TV. Mas estou longe de ser um ermitão, sou do tempo e isso me leva longe, mesmo que às vezes meu longe seja virar de um lado a outro na cama.
Não tenho uma vida chata, tenho uma vida que quis para mim, não julgo pessoa alguma com a minha ética, minhas responsabilidades são minhas e não jogo sementes em pedra bruta, tão pouco acredito que o mal vem das estrelas, como disse Júlio Cesar: o problema não está nas estrelas Brutus.
Gosto de ler Martha Medeiros e Lya Luft, são pessoas interessantes, sabem de certa maneira e a maneira delas trazer dignidade ao óbvio. Erudição às vezes cansa, como me cansa ler livros que sempre trazem as mesma citações, os mesmos nomes e os mesmos dramas.
Dezembro sempre é um mês em que todo mundo parece ter bebido da água abençoada de Madre Tereza, todo mundo rindo e feliz, mas nenhum dia de dezembro para mim é mais insuportável do que o dia 31, sair na rua e ser abraçado por pessoas que o ano todo foi indiferente a minha existência é dose.
Tantas coisas são dose, são azedas, são sem muita razão de ser ou sentir que acabamos nos acostumando com tudo isso, nem dor e nem alegria às vezes parecem ser as mesmas coisas e gritarem um só sentido.
Gostaria de ver minha vida contada em um filme, no papel principal: Selton Mello, colaboraria apenas com a seleção dos outros atores e atrizes para interpretaram minha turma. Seria maravilhoso, o roteirista e o Selton aqui em Santo Amaro ouvindo os amigos previamente selecionados, catalogando as histórias, compondo a trama.
Da viagem de trem que durou uma semana entre Mundo Novo e Santo Amaro (tinha três anos de idade na época) ao Colégio do Teodoro Sampaio e todas as tramas e confusões em que me meti nos anos de 1990, até a eleição de Lula e o desencanto com tudo que é vermelho.
Delirar é bom, e a voz do Selton Mello e suas interpretações em cinema me fazem fantasiar muitas coisas, uma delas é ele ser eu, e por que não? Deixa eu ganhar a Mega da virada, quem aposta sempre alcança.
Quando desligo o relógio parece que algo dentro de mim também fica mais lento, olho para o teto, não há o tik tak do despertador, se fumasse acenderia um cigarro com gosto de menta.
Estou meio pálido, tenho andado pouco ao sol, mas o sol de dezembro da Bahia não perdoa ninguém, tenho cheiro de maresia e sal no corpo, corpo temperado para ser devorado como um peixe retirado das profundezas do mar, sou peixe, sou de peixes e durmo ao relento do teu bem querer.
Notei que estou rabiscando pouco, escrevo direto no computador, mas não consigo ler muito no computador, a luz da tela me deixa tonto, minha cama parece uma biblioteca comunitária, adora biscoitos Fortaleza, são tão crocantes, meus livros ficam cheios de pedaços de biscoitos, mas antes de guardá-los eu limpo tudo.
 Meu problema é a paixão, vivo como se fosse um eterno apaixonado, tudo que olho olho com excessiva paixão. Isso não é bom porque fragiliza, deixa o coração refém de qualquer poeira soprada entre risos e falsidades.
Hora de planejar a semana, para você uma semana de paz e alegria e amores sempre, beijos e até sempre.




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