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Mostrando postagens de Agosto 4, 2011

O beijo

Gosto de beijar, mais que isso, gosto de beijos que nos remetem a sono bom, aquele estar na boca de alguém como se tateássemos nuvens. O beijar é por si só algo que nos traz o conforto de um canibalismo civilizado. Roçar de línguas nas múltiplas variações possíveis das nossas taras. O dizer tudo, em silêncio escrever imprevisíveis histórias de afetos, sugar energia e na carência absorver incertezas matinais de uma língua estranha a acordar na boca posta em desejo. Gosto de adormecer em línguas vadias encontradas pelas esquinas em sábados bêbados e decadentes. Sinto falta de bocas solidárias quando acordo na ressacar de ser quem sou, bocas e dentes postiços juram eternas mentiras de amor. Beijo falso como dias de carnaval na Bahia, sexo sem beijo, melhor masturbação. Beijo que começa e que nos alerta do fim, gosto de ser beijado por quem me faz sorvete de baunilha e chupa-me na leveza de um tiro a queimar roupa. Beijar é abrir as portas, mas não necessariamente o coração, coração é boca qu…