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Mostrando postagens de Outubro 28, 2011

Um filme para Mary End

Às vezes vem o frio, em nada o sol pode ajudar. Teu abraço tão distante e minha língua tão adormecida na não mais busca por ternura. Sou envelhecido poeta barroco na decadência de um renascimento que nunca vai acontecer em mim. Hoje é noite de sempre, não vem o dia. Há rosas da despedida na cama, não busco o verbo improvável, a metáfora exata, quero do Tempo ser amigo quando meus dedos não escreverem mais minha sonata de poucos acordes. Escrevo poesias em cartas que nunca vão sair do meu quarto, há morcegos do lado de fora, na lagoa os sapos cantam, a lua traça o caminho luz para quem da noite se faz. Há sempre o apego desnecessário a coisas que embora doces não passem de veneno e sugadores das nossas já desumanizadas energias, nega-se o que de melhor temos para pior servirmos, o pior servir é o que nos nega em essência, nos reduz a pó, escandaliza nossas emoções. Não tenho medo, sou todo corpo, meu espírito vaga na delicada razão que nunca pousa, é sempre nuvem e raios de Iansã meu tesão…