Alegria

Alegria é beijar uma estátua de gesso e imaginar-se em uma cena de “Meia noite em Paris”, descobrir que o amor pode ir além do almoço hora marcada, sopa fia. Chegar aos quarenta e fazer da sua casa  escadarias para o mundo, roubar beijos entres as decadentes estrelas do Bar Vermelho.
Embriagar-se de absinto é a única maneira de valsar comigo mesmo e não morrer de tédio. Alguém ascende um cigarro, beijo a boca de Ernest Hemingway, renasce poema e flor nos lábios de Cecília Meireles. A solidão embrutece os sentimentos. Como um cigarro esquecido no cinzeiro somos nós quando em coração inimigo fazemos ninho.
Nenhuma fuga é possível, nem mesmo para Paris: viver e morrer sem sair do lugar. Não há mistério algum na morte, a morte é o não lugar, a não utopia. A vida é essa coisa misto de framboesas e masturbação em banheiro sujo e frio.
Escrevo como a simplicidade de quem ler o alfabeto de trás para frente, a poesia de andar com uma menina linda na minha Paris, acordar pela manhã com o gosto de saudade na boca.
*"Não sou um sistema", tão pouco uma sacola de supermercado. Meia noite beijo a prostituta linda imaginada por Woody Allen.
O melhor tempo é o tempo das nossas inquietações, sem inquietações não há coração, não há vida, ninguém é mais ou menos feliz em tempo algum, todo tempo que temos é o exato momento que respiramos.
Quero ouvir Enya, estou cansado de guerras, quero migrar para um filme da década de 1920, sonhar com aquela menina linda aos olhos de Woody Allen, sou um coração sem pretensões, mas delicadamente inquieto como um beijo sob a chuva fina de uma Paris sedutoramente falsa.
Contatos: http://edineysantana.zip.net ou ediney-santana@bol.com.br
*Frase do filme “Ponto de mutação”, Bernt Capra.

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