Madrugadas*

Amanhã será um lindo dia d’alegria possível, do abraço leve como nuvens ausentes de chuva no terraço dos meus sertões. Amanhã será um lindo dia da mais pura bondade. Eu me prometo o sol e se a chuva vier prometo andar pelas antigas ruas desse meu recôncavo e seus místicos mistérios.
Neste dia branco, fecho os olhos, cultivo estrelas no paraíso em que muitos vivem e poucos sentem, muitos olham, mas poucos conseguem ver as estrelas elétricas caídas na palma mão minha.
- É tempo de ir velho Jok, as montanhas azuis têm o encanto que sempre é. Tudo sempre está lá entre o azul, o tempo e o desejo de sempre ser, o ser que somos e naufragamos nestas tolas paixões.
Gosto de curtas metragens, cinema que leio nas resenhas do jornal A TARDE, nunca assistir um curta metragem no cinema, mas já li muitos e pela palavra imagino as cenas, consigo ser marujo, cangaceiro ou um personagem nas paragens do mundo esquecido.
Olhar-me no espelho e não me enxergar é como cair na fantasia de Mary W. Shelley. Ouço Diana e penso se há mesmo alguma paz para perdermos.
Fotografe seus momentos, porque seus momentos passam, mas suas fotografias amareladas ou não vão ficar. Mergulho na noite de mim, na plena escuridão, Deus me oferece flores... Quem ri por último ri sempre do pior.
Guarde sempre algum mistério, algum encanto, revelar-se por completo é o primeiro passo para a solidão sintética, aquela que nasce do seu cansaço por você mesmo.
Há os que têm o ideal de si e muitos loucos o ideal de ser coração de todos, morrem ilhados em seus corações terras ásperas e incertas para vida.
Estamos vivendo a ditadura da felicidade, do otimismo vendido em livrarias, dos sorrisos forçados... Todos têm o direito de ficar triste, de dizer que se está triste sem que por isso sejam tratados como criaturas inferiores entre essas hienas de  circo e pão mofado.
Gente é a soma de todas emoções e paixões, bondades e maldades. Gente que se diz sempre está feliz ou finge ser nega a sua própria condição de gente e passa a ser coisa, coisa alguma, algo intermediário entre o ser vivo e o ser morto.
Gosto de bala Juquinha, retirar o papel da bala é um suplício, sempre se chupa a bala Juquinha com papel e tudo, isso tem gosto de infância. Emoções mistas entre o papel e o doce.
Amanhã será um lindo dia? Não sei, mas hoje já é, o dia deve ser lindo hoje, branco ou azul hoje, canto para a paz que acontece agora, neste exato momento. O amanhã é tão distante, tão profundamente distante.
*Ps- Na foto eu durante uma crise de saúde em frangalhos, mas já estou melhor, meu rosto já ta quase de volta. Mary W. Shelley me prometeu isso ontem à noite depois de fazermos “amor”.

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