Pular para o conteúdo principal

Sangue menstrual

Cidades sem alternativas, tédio, cansaço social, futuro cinza e o presente amargo abre as portas para todos os acasos e a droga é um desses acasos. Marasmo cultural, aceitação pacífica do presente sem vida, acostumar-se com o que se tem, o mal como senhor absoluto das relações, a sensação de que não adianta lutar, que o vento contra é mais poderoso que os desejos de mudança, tudo isso pavimenta o caminho para o caos social.
Dirigentes zumbizados pelo poder, servem ao poder como quem transa com cadáveres, o medo de falar, o silêncio como carta da cidadania, a cidadania sem cidadãos ou cidadãs, o olhar cabisbaixo, juventude envelhecida, juventude sem juventude, tempo de cólera, ser o que o outro faz de si, negar a si mesmo em nome da trágica relação: vantagem pessoal x crime organizado.
Nada importa: o sangue no dinheiro, a morte nos sorrisos. Nada importa, importa ser, mesmo que seja um ser sem substância humana.
Vida em sempre escuridão, sexo previsível, amores descartados, vandalismo emocional, regras matemáticas nos sorrisos, amizades sem razão, cartelização das emoções, deuses sintéticos, masturbação sociológica, governos dementes, povo conivente.
Dores, suores, trambiques, mortes, miséria gerando fortunas, corpos de miseráveis como adubos das fortunas dos magistrados do crime. Droga, droga e silêncio, perdas não sentida, vida absorvente menstrual, sangue menstrual nos lábios da menina violentada na esquina, desejos e supérfluo, vida supérflua.
Extermínio, beijos e cancro, bom coração em pus, a política do “tudo é lindo/ tudo é maravilhoso”, espermas nas mãos, útero seco, uva passa nos olhos, gozo seco, deus e o diabo rindo de nós no paraíso, gilete no coração. Tédio, alegria, sabão em pó.
Crime e evangelho, meu coração pede calma, minha alma pede guerra, chiclete, música, masturbação, desejo de você, cama, prego na vagina, imagens da miséria, não utopia, não realidade, vivo, como arroz e macarrão, vão se foder o congresso e todos os seus gestores, não quero para mim essa alegria palafita.
Sou sertões e filmes medievais. Um perfume no ar nos celebra, apesar de tudo, nossa vida. Mãos dadas, o presente nos chama, o presente nos ri, o presente nos diz o quanto somos nós o sangue menstrual que não desce, o útero que nos traz vida.




Postagens mais visitadas deste blog

"A felicidade é uma arma quente”

Eu que nunca saio do meu lugar exílio, imagino como o mundo deve ser lindo. Estou tão fantasma em Santo Amaro que me considero um prisioneiro condenado a devorar-me sem piedade e pouco a pouco ir morrendo de tantas angústias que não há sol a iluminar tanta escuridão.
Você descobre que está ficando para trás quando todos da sua geração foram embora. Quando esses seus amigos voltam à cidade e você só fala com eles do passado é sinal também que a amizade já era, ficou presa em algum lugar desse mesmo passado. Nem eles e nem você cabem mais na vida um do outro.
Acostumar-se com migalhas de felicidade, com aparente segurança da rotina é um passo certo para pararmos no tempo, para voltado às pequenas coisas nos tornamos bobos de uma corte morta há tempos.
Torna-se um monumento não é bom, se isso acontece quer dizer que mesmo você estando vivo, todos vão considerá-lo morto. Tenho a impressão que a natureza só mata alguém quando esse alguém já não interfere nem para o bem nem para o mal na vida…

Carta para daqui a 50 anos

Hoje é sábado, 29 de junho de 2013, São Pedro, últimos dos santos juninos, aqui perto em São Francisco, vai ter show “grátis” do Chiclete com Banana, claro que não vou, tem gente em excesso de suposta felicidade e acho um saco tanta gente feliz junta por quase nada, não que eu seja triste, mas a minha felicidade repousa na linha do horizonte, não se resume a uma multidão insana pulando e gritando: “chicle...tê!!!! Em 2063, o maior plano é tá vivo, curtindo minha velhice e ouvindo as histórias da minha filha, ler essa carta nem que seja com uma lupa daquelas de Sherlock Holmes, talvez olhe para uma foto minha de hoje e diga: elementar, meu caro, tudo no fim deu certo. Não pense, eu de hoje, que meu sonho é só envelhecer, há o recheio, como de um sanduíche que comi certa vez e daria para alimentar um uma fila inteirinha de pau de arara, pau de arara eram caminhões que certamente devem ter levado muita gente minha para São Paulo, gente que por lá trabalhou duro e morreu da mais profunda…

Como é viver com ódio?

A internet parece ter sido transformada na vitrine do ódio. Sempre encontro bons vídeos e sites na internet com conteúdo interessante e instrutivo, mas esses sites e vídeos têm baixíssimas visualizações, por outro lado sites e vídeos com conteúdo de ódio ou violência têm milhares de acessos. Canais de políticos que não tem nada de proativo ou ideias criativas e práticas, mas explodem de ódio batem recordes de seguidores que expõe ódio, violência verbal e ameaças.   Parece ser um estado permanente de ódio, seja religioso, sexual, político ou cultural, nada escapa ao ódio. Algumas manifestações de ódio são abertas ou diretas, outras são disfarçadas de altruístas, mas todas têm como objetivo neutralizar qualquer voz dissonante dos que esses furiosos ambidestros pretendem. No mundo da violência emocional odeia-se por um único motivo: não há no mundo espaço para concepções socais diferentes das quais a ambidestra cavaleira do ódio defende.   O ódio emburrece, torna bruto corações e mentes…