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A sensação como realidade

Ligo a TV e ouço jornalistas falando em índices que colocam o país como uma quase maravilha do mundo, com seus problemas minorados, com um povo sorridente e feliz com nossa entrada no clube dos que mandam no mundo. Sempre me pergunto: de que país estão falando? Do Brasil que vivo não é, tenho certeza.
De alguma maneira enquanto o Brasil real enferruja ou apodrece aos nossos olhos, o Brasil midiático gestado pelo condão mágico da falácia publicitária oficial encanta a todos. Estabeleceu-se a “sensação” como programa de governo.
Sensação de felicidade, de que tudo vai bem. A sensação é de que este agora sempre foi melhor que qualquer outro e que dando continuidade a essa forma neo-socialista e extremamente perigosa podemos ser mais felizes ainda do que a sensação do que somos agora.
Quando se consegue concretizar ambições, atingir metas, viver o que se ama e saciar a sede de tantas paixões, vive-se sensação real de ser feliz, realizado e pronto para novas buscas.
O que acontece hoje é que troca-se todas as realizações pelas sensações, fica-se motivado e “realizado” apenas por se sentir capaz de ter ou na possibilidade de ter sem nunca conquistar absolutamente nada.
De repente a vida foi transformada em uma grande televisão de cachorro, o cachorro que para enfrente a padaria, saliva, se emociona com o frango girando, assando a sua frente, o cachorro sente uma agradável sensação de prazer, mas nunca vai comer o frango, a agradável sensação de prazer é suficiente para que ele sinta-se realizado.
A sensação de que tudo é melhor sem mesmo nunca ter sido é uma arma poderosa, influência todos os níveis sociais. A democracia é cada vez mais ameaçada, por esse sistema neo-socialista que não aceita criticas, não aceita questionamentos, assim forja-se uma democracia mentirosa, de mão única, educa-se para os olhos, mata-se a reflexão e fica cada vez mais difícil amar e ser amado.




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