Um dia sem paraíbas e baianos*

São Paulo, Rio de Janeiro e muitas cidades do Brasil do Sul amanheceram um caos, desaparecem milhões de paraíbas e baianos. – E cearenses? alagoanos? Sumiram também, você não sabe que no Brasil do sul todo nordestino é baiano ou paraíba?
Muitos grupos racistas e xenófobos saíram às ruas do Brasil do Sul para celebrar o desaparecimento em massa dos nordestinos, pelas ruas muitos Brasileiros do Sul não escondem a alegria pelo desaparecimento de tantas pessoas, que dizer nordestinos.
Mas nem tudo é festa, ambulâncias que eram  dirigidas por paraíbas no Rio de Janeiro estão paradas no meio da rua com pacientes dentro, algumas emissoras de rádio saíram do ar em São Paulo, locutores baianos não apareceram para trabalhar.
A polícia do Brasil do Sul alerta para que ninguém deixe suas casas, parte do contingente policial é nordestino e também está desaparecido, em Brasília o governo tentou esconder a euforia, mas analistas dizem que se isso continuar em curto prazo o Brasil do Sul será uma grande nação livre dos ignorantes do norte.
Aviões estão voando no piloto automático: controladores de voos, pilotos e agentes de limpeza dos aeroportos nordestinos desapareceram. No Rio de Janeiro não aconteceu o tão esperado carnaval, quase todos os membros das escolas de samba eram paraíbas e simplesmente sumiram.
Esgotos entupidos, falta água potável, rede de gás com vazamento provoca explosão e morte no bairro do Morumbi em São Paulo, funcionários baianos das companhias de serviços não foram ao trabalho.
Grupos neonazistas reclamam a falta de atividade como espancamentos e esfolamento de baianos, na falta de baianos mijam nos postes como cachorros. Nos presídios muitos presos sumiram, fato comemorado pelo secretário de segurança nacional que a todo instante agradece por essa força na limpeza do Brasil do Sul, mas agradece a quem?
Toneladas de lixo acumulam-se pelas ruas do Rio de Janeiro, em Minas Gerais mosquitos da dengue gigantes comem os olhos das criancinhas, nos estados do sul a febre amarela fala Alemão ou será Russo? Ou italiano? Seja como for não há o que faz com a soja, com os sumiços dos paraíbas e baianos, quer dizer nordestinos, não há trabalhadores suficientes nos portos para embarque e desembarque da colheita.
No Espírito Santo ruas desertas, carros abandonados, floretas em chamas, redes de TV vazias, esgotos invadem as ruas, trezentos milhões de litros de urina misturada com fezes correr para o mar. Não há quem conserte ou limpe a sujeira.
Entre tantos desaparecimentos um em especial chocou o Brasil do sul, foi o do famoso apresentador de TV Van Kafagam Lalabelibam. Ícone das estelas globais e aspirantes, Van Kafagam Lalabelibam se orgulhava da sua origem Inglesa salpicada de Alemão e incestuosamente Francesa, mas seu nome verdadeiro era Severino da Silva, um típico baiano ou paraíba. Escondia isso a sete chaves, mas desapareceu como qualquer outro nordestino. A Emissora em que trabalhava pede desculpas ao público e diz que os próximos contratos com novos apresentadores só serão assinados mediante testes de DNA para comprovação da origem e certificação da raça emitida pelo SSR, Serviço Superior da Pureza da Raça do governo federal.
O exército patrulha as ruas, a ordem é matar qualquer remanescente nordestino, autoridade temem que estejam contaminados com o vírus do desaparecimento e contaminem os Brasileiros do Sul, além disso, o governo mandou construir um gigantesco muro para separar o nordeste do Brasil do Sul.
Não temos mais informações sobre o desaparecimento dos nordestinos, neste exato momento nossa redação está quase vazia, muitos jornalistas, embora escondessem isso, eram nordestinos, paraíbas e baianos. Estamos com dificuldades para gravar novas matérias, mas não recuaremos em registrar esse momento histórico... O que é isso... Estou desaparecendo... Mas só sou 25% nordestino...socor...
* Crônica livremente inspirada no filme “Um dia sem Mexicanos”, 2004 - Europa Filmes, do diretor Sergio Arau. O filme de certa maneira conta a história de nós nordestinos nas terras do Brasil do Sul, gostaria de re- filmá-lo com o nosso sotaque, nossa cor e quem sabe ainda com a esperança de vivermos em um país que nos respeite. Sou nordestino e não desapareci.


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