A noite que não terminou

Na noite do dia 02 de fevereiro de 2012 estava na Praça da Purificação, em Santo Amaro, com meu amigo Sergio Damião quando o prefeito da cidade e o delegado subiram no palco em que se apresentariam alguns cantores para o enceramento da tradicional festa da Purificação e suspenderam as festividades por não ter como garantir a segurança dos participantes no evento.
A greve da Polícia Militar deixou a cidade vulnerável a toda sorte de crimes. Não há registro, em mais de quatrocentos anos da Paróquia da Purificação, que a festa tenha terminado antes da sua tradicional queima de fogos, a tradição foi vencida pela criminalidade e pelos furúnculos sociais do governo da Bahia, furúnculos que o governo insiste em não querer enxergar, como um cego que teima em dizer que enxergar perfeitamente.
O governo Wagner é um governo perigoso porque não tem autocrítica, tão pouco aceita qualquer tipo de crítica que aponte suas falhas. Há mais de um ano que a PM ameaça greve e o governo sempre minimizando a situação.
O que assistimos ontem à noite na Praça da Purificação: pessoas em pânico, policias civis visivelmente assustados com a fragilidade deles diante o pânico generalizado, sabiam que diante o reduzido efetivo pouco podiam fazer, crianças desesperadas chorando e muita gente correndo para casa.
Tudo isso foi apenas a parte visível de políticas públicas equivocadas, de um governo que não demonstra respeito humano para com as pessoas, de um serviço público fragilizado e sem comando. O governador Wagner ilhou-se em sua prepotência, é incapaz de sorrir, de um gesto de carinho ou ternura em público, fala sempre com os dentes cerrados como se tivesse ódio do mundo, para ele um governo se resume em “negociações” políticas, seu governo podia sem ao menos simpático com quem sofre tanto.
Outro ponto muito estranho é o silêncio dos intelectuais e artistas da Bahia, não vi nenhuma manifestação de apoio por parte desses artistas ou intelectuais à população ou de críticas ao governo no seu débil gerenciamento da crise na segurança pública. Não defendo a ideia de que as pessoas sejam obrigadas a carregar bandeiras nas costas, mas a situação é grave e cabe a toda sociedade opinar, debater e cobrar do governo solução.
No lugar de um posicionamento crítico diante a situação a maioria dos artistas da Bahia lamentaram o cancelamento dos seus shows e espetáculos, e muitos intelectuais o fechamento dos eventos culturais ou dos seus bares preferidos, isso é triste e deprimente.
Esperamos que o governador Wagner leia seus próprios discursos quando era sindicalista e encare a responsabilidade que tem pela vida de todos os cidadãos, cidadãs desse estado e resolva nossos flagelos sociais. A Bahia não pode continuar avançando cada vez mais para esse estado lastimável de favelização da nossa cidadania.
Contatos: ediney-santana@bol.com.br ou http://edineysantana.zip.net

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