Tempos de glória

A recessão de quase tudo que pode ser chamado de sentimento em combinação com rachaduras profundas nas relações que deveriam ser pautadas por uma sólida ética tem feito a todos reféns das mais corrosivas situações.
Um estado de coisas nos quais vale o não acordado, tem razão quem delira maniqueísmo sobre os destroços das nossas emoções, tentam nos convencer que o mal existente é absoluto, deus a nos acolher na sua fornalha de celestiais canalhas.
A força se impõe no lugar da autoridade, até nos corações mais sensíveis o ódio faz ninho. A arte sem arte, palavra sem ação, sexo em par que melhor seria uma masturbação solitária, aliança com o medo, aquele olhar de que tudo poderia ser diferente é castrado diante o silêncio a fazer do verbo frágil indulgência para quem nos corrompe a vida.
Passa o universo: está grávido, sim, o universo se impõe com sua gravidez, insiste em ser grávido, em gestar outros sistemas, outros sóis. Mesmo em meio a essa recessão emocional o universo grita aos nossos ouvidos que está grávido. Nos chama a sala de parto, um longo túnel escuro e escorregadio, porque a qualquer momento ele o universo vai nos apresentar sua nova cria.
Em tempos de pouca glória, poder como moeda de afeição o universo nos engravida todos os dias, vai parindo crias que nos criam, desejos que nos desejam , amores que nos amam, taras a nos tararem.
Senhores e senhoras rasguem suas roupas, vistam a nova pele nos presenteada pelo universo, dias de grito, amor pela guerra, dias de não silêncio, tempos de estarmos em paz quando fazemos em nós a revolução que os senhores do tempo sempre tenta nos negar.
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