Os Olhos tristes de Paulo Freire

Paulo Freire sempre me pareceu uma figura triste, suas palavras sempre tiveram mais ânimo do que ele próprio, entendo porque isso. Se eu pudesse resumir o meu diploma de letras diria que é um diploma triste como a fisionomia de Paulo Freire, triste porque ele não representa para mim uma vocação, mas um ato de luta política e social, não representa para mim um título que levarei um dia para o túmulo, representa interferências sociais que ficarão por aí no coração de cada pessoa que encontrei pelo caminho e cismou o mundo comigo. O que é o mundo sem cismas meus amigos? O mundo sem cisma não passa de pedras que engolimos, verdades que defendemos e nem sabemos de que mentira elas brotaram, meu diploma é triste com Paulo Freire sonhando com um futuro livre da ignorância e estupidez generalizada que dita os rumos desse país com vocação em abortar sempre esse mesmo futuro, meus olhos já cansados refletem meu espírito pedagogicamente ilhado no fronte de um quadro negro que não traça mais caminhos para o futuro.
Meu diploma grita em um fundo de gaveta, pergunta para mim cadê nossas lutas, nossas bandeiras, nossas paixões, em que lugar nosso entusiasmo se perdeu. Tudo é o que não vemos ou sentimos, na prática tudo é pré noite.
Minha alegria é triste como Paulo Freire falando do MST, acreditando que eles vão ajudar a construir um país diferente, que alegria ainda guarda um coração pedagogicamente cansado? O mal de ontem veste a roupa do bem, o bem de ontem grita o quanto pode ser mal e perverso hoje.
Um dia meu amigo, professor Saborosa, me disse que algumas pessoas comentaram que eu não me encaixo no perfil do que se espera de um professor, passado tanto tempo, acho que não me enquadro mesmo, quem deseja aulas com um sujeito tão triste quanto os olhos mal dormidos de Paulo Freire?
Olho para a presidente Dilma e vejo tanto passado, quando deveria enxergar o futuro, olho para a delicada grandeza dos mestres esquecidos, Anísio Teixeira hoje é só o nome de um instituto, Paulo Freire citações em congressos pedagógicos que não discutem a vida e sim a morte da educação.
Sou mais triste que uma senhora com lápis tremulo nas mãos tentando aprender a escrever o próprio nome, 80 anos de solidão pedagógica, sou algo intermediário entre um ser humano e um professor brasileiro.
Contatos: ediney-santana@bol.com.br ou http://edineysantana.zip.net















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