Ensino público


Foi aprovada pelo Supremo Tribunal Federal as cotas para o acesso ao ensino superior de alunos oriundos das escolas públicas. Nunca fui a favor das cotas, porque entendo o quanto todo problema não está na cor ou condição financeira dos alunos e sim na tragédia pedagógico que é o ensino fundamental e médio, estranho o silêncio dos ditos movimentos sociais em relação ao abandono do ensino médio e fundamental, é o Brasil e sua farsa de inclusão social nos provando o quanto é perigoso ser radical, ou seja, enxergar o problema na sua base, para a mediocridade intelectual desse país pedir uma revisão radical do ensino médio e fundamental no lugar de muletas sociais como as cotas é o mesmo que ser racista.
Racista para mim é quem cala-se diante a barbaria oficial contra um povo e “civiliza” movimentos sociais para que estes sejam docilmente agentes chapa branca de governos deliquentes e assassinos. Nossos empobrecidos estudantes do ensino fundamental é médio são esquecidos nas escolas superlotadas, amargam juntamente com professores (as) o vandalismo pedagógico imposto pelas políticas circense e midiáticas dos governos que tem dois únicos objetivos que são maquiar dados e desviar recursos financeiros que poderiam ao menos garantir a modernização tecnológica das escolas, escolas que muitas das vezes nem carteiras para os alunos sentarem tem.
Um governo é assassino quando não tem programas efetivos de combate à violência que ceifa só na região metropolitana de Salvador em média vinte vidas a cada fim de semana, um governo assassino para mim é que tenta de todas as maneiras controlar o debate livre de ideias, o que não faz nada para amenizar o sofrimento de quem precisa de um dentista ou médico, um governo racista para mim é o que faz parcerias com partidos políticos sanguessugas dos recursos da educação.
Muitos alunos pobres ou miseráveis, negros ou não nunca vão concluir o ensino fundamental ou médio, esses são expropriados da condição cidadã, não tem voz e nem vozes que as defendam, esses estão longe dos grandes centros urbanos ou esquecidos nas periferias das capitais, para eles a única cota que resta é a da miséria.
O Brasil é o país das gambiarras, não tem planejamento algum em longo prazo para resolver nossos flagelos sociais, o governo do Estado usa o Reda ou PST (regimes temporários de trabalho) como moeda de troca nos município para conseguir bases políticas, nas cidades do interior qualquer pessoas pode ser “professor” do ensino fundamental, muitas dessas pessoas sem formação alguma e é neste sistema mórbido que arruína nossa educação que os defensores de contas, hoje todos ligados de alguma maneira ao governo federal ou estadual, calam a boca ou resumem o debate entre os santos não racistas e os demônios racistas que para eles são todas pessoas que não aceitam mais um país de alguns erguidos sobre o sangue de todos.
Assim como acontece com os programas governamentais de transferência de renda que moqueiam a miséria, mas não acabam com ela, o sistema de cotas moqueia o drama do ensino público, tenta mostrar o mundo quanto o governo e seus agentes são solidários com o povo pobre, mas o que acontece é um virar de costas para um dos maiores dramas desse povo: ser entregue a uma educação medíocre e desconectada com o mundo contemporânea.
Não há prova alguma cientifica que alguém seja incapaz de aprender ou ensinar por questões econômicas, cor ou etnia, o que mantém pessoas na ignorância são perversos programas governamentais de negação pedagógica, todos forjados para manter apenas índices, índices que nossos diletos governantes adoram expor como se fossem a realidade espetacular de um povo, quando nem eles mesmos colocam seus filhos no sistema público que eles dizem ser excelência. Sim é excelência, em exclusão e mediocridade.
Pintam a escola e colocam dentro dela professores (as) mal pagos, ora mal formados, ora humilhados e perseguidos politicamente, temperam tudo com alunos nutridos no abandono familiar, viventes em estado permanente de pobreza, tiram fotos e dizem: “Brasil um país de todos nós”. E eu digo: Brasil como sempre um país de alguns.
Desafio aqui os lideres de movimentos sociais que circulam pelos gabinetes em Brasília, deputados, senadores, ardorosos defensores dos direitos humanos e os senhores ministros do STF a matricularem seus filhos na escola pública mais próxima de suas casas. Sei que vocês não farão isso, afinal a cota dos senhores e senhoras na elite desde país está mais que assegurada.
Contatos: ediney-santana@bol.com.br ou http://cartasmentirosas.blogspot.com

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