Outono

Friozinho e uma leve calma que nos chama ao abraço mais suave com os dias quase melancólicos do outono. O outono é a delicia do pré-inverno, tardes amenas, folhas secas varridas pelo vento, o amor a renascer cheio de possibilidade.
O calor da cama parece dialogar com o do corpo, os dois em cumplicidade se abandonam em preguiça e as manhãs nunca foram tão propícias para o abraçar sono que se recusa ir embora. A sensação de frio faz o costumeiro café ganhar na língua sabores há muito esquecidos, o outono reafirma cores e vivências as quais pela rotina negou-se beleza.
A metáfora exata para o outono são os abraços, abraços que nos levam ao mergulho de antigos sentimentos, um convite para a festa dos nossos mais distantes (nunca esquecidos) amores.
Há amores que para sobreviverem em nós às vezes é preciso deixá-los à distância, nem tudo que é amor resiste à convivência dos dias. Conviver é negociar espaços, saber que não posso deixar de ser quem sou para me perder em você e você não pode deixar de viver quem é para buscar no meu abstrato o espelho que te reflita.
Se há solidão o outono nos revive momentos com o tempo quase parado, tempo de sermos paisagem pintada aos raios brandos desse sol menos inclemente.
Em Itapema o mar é quase cinza, a praia vazia, voz de Joan Baez canta a América Latina, algo de delicado bate na pele, impossível dos olhos não termos algo de profunda emoção, o outono é esse momento que esquecemos a grande bobagem da racionalidade e nos entregamos ao melhor do ser animal que por fim somos.
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