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quero deus

É páscoa, no entanto os sentimentos são de pessoas pregadas em suas cruzes e sem a esperança de renascer no domingo, sem esperança de que no último momento uma Maria esteja por perto para o abraço final, no domingo não haverá Madalena alguma a chorar pelo corpo morto, pela carne furada na intolerância dos maus que quase sempre são poderosos e ricos, o vinho torpe da insensibilidade afoga o cordeiro de Deus em sua solidão cristã, fé cristã não criada por ele. Meu coração cristão ferve de desolação quando vejo o mar vermelho de sangue entre os sorrisos, estamos sós como um cordeiro na cruz, como alguém e sua sincera fé que um dia está terra-inferno seja o velho paraíso criado por algum Deus que em hipótese alguma seja nossa imagem e semelhança.
É páscoa do lado da vitrine um garoto olha um cordeiro de Deus feito de chocolate branco, seus olhos famintos rezam, reza seu coração cordeiro de Deus, apagam-se as luzes e nada tem de paraíso nessa verdade cretina de que ao morrer vamos para o céu, o único lugar mítico possível é o inferno.
O cordeiro de Deus não me quer em seu paraíso, ando, choro, brigo, leio poemas, decoro salmos bíblicos e nada adianta,fui expulso do meu próprio corpo, velado pelas minhas próprias misérias cristãs.
Cordeiro de Deus que trouxe o pecado para mundo tende piedade de mim e se não de mim apenas desses meus olhos cansados de tantos crimes cometidos em teu santíssimo nome, é de sonho e de pó que se faz um coração cristão.
É tarde, meu coração reza, estou só, deprimido, subempregado, sujo de esperança, deitado ao sol entre cascavéis a espera da morte por inanição, socorro, não há grito, mergulho no pântano que é só meu.
É páscoa minha mãe lembra do meu avô e suas penitências estúpidas, quero carne, vinho e mulheres, quero sexo e não amor, quero a voz de L. lendo meus poemas embriagados de incertezas, tudo que é certo é cárcere.
Cordeiro de Deus que me fez homem pelos braços de M. me traz algum pecado que seja santo, algo que não me faça triste ou alegre, cordeiro de Deus aos teus abraços o tempero do crime, canto, desfaleço, me masturbo ao som dos trovões neste inverno outono de insanidades.
Se Deus fosse realmente nossa imagem e semelhança estaríamos fodidos de vez, não Deus não tem par em nada desses nossos crimes, Deus não tem religião, não em cor ou sentido humano que conhecemos, deus é o não humano, o não sagrado que acreditamos.
Sexta-feira profana e meu coração santo têm medo, estou olhando meu Cristo morrer na cruz, minha esperança tem medo e como amoras ao sol deus qualquer, sou podre e santo, ateu e feliz anjo do senhor, Deus tende piedade de mim, não deixa o mal cruzar meu caminho rosa e calcário.
Bebo vinho, tenho amêndoas nas mãos olho ao tempo como se fosse labirinto qualquer de emoção, Deus não há outro santo além do meu coração cansado e bêbado, não vá embora, prometo no domingo renascer nos braços da linda Madalena que por fim é a imagem e semelhança de Deus.
Contatos: ediney-santana@bol.com ou http://edineysantana.zip.net







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