"Rio de águas mortas"

Corre riozinho para o teu silêncio mar,
tuas águas mortas
correm nas minhas veias
como o sangue
dos meus pretos no
amargo canavial.
Deságua riozinho nesta profunda tristeza
que são meus olhos
afluentes em lágrimas
do sal da tua agonia.
Corre riozinho, vai ser livre no acaso
mar, porque na agonizante
desta vida tua morte é a morte que
em nós há.
Os pretos dos canaviais agora vivem
nestas margens de
concreto e solidão, comem da
tua lama, bebem da tua dor,
deságuam na
esperança morta o que em
tuas águas barrentas sempre nos espelhou.
Ediney Santana


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