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Incapacidade de ser feliz

No dia dia, no trabalho ou na luta pela vida sempre observo pessoas que tem incapacidade de serem felizes, muitas vezes são pessoas bem sucedidas e outras vezes pessoas que se habituaram a uma vida triste e sem perspectiva.
Ser feliz não é o mesmo que ser alegre, alegria é algo passageiro, ora estamos alegres e ora tristes, mas a felicidade é algo maior, vem de dentro e nada pode tirá-la de nós, a felicidade supera os momentos de crises e tristezas.
O que acontece é que no Brasil há certo vício em alegria, uma urgência em sorrir e de contentamento rápido enquanto o estado profundo de felicidade é desprezado. Não importa muito a essência das coisas, nada-se na superfície dos sentimentos e nessa superfície deixa-se o melhor que alguém pode ter: a capacidade de ser feliz.
Na Bahia é constrangedora essa masturbação na falsa felicidade, um dos estados mais perigosos do país, com índices cruéis de homicídios e abandono social tem também um povo que parece incapaz de reagir e mesmo assim se diz alegre. Essa alegria mentirosa, fajuta e que agoniza na fila do SUS, das delegacias-necrotérios ou nos bancos das escolas públicas em que a ignorância é estampada nos sorrisos “faz de conta” não me diz absolutamente nada, sou feliz e isso esse falso sorriso da sociedade consumista e hipócrita não consegue embotar.
Claro que a alegria é um dos sentimentos mais prazerosos que temos, mas quando é algo espontâneo e não criado artificialmente para esconder nossa real condição enquanto pessoas, a tristeza que se disfarça de alegria é a mais perversa.
A alegria que incapacita para sentir a própria vida como ela é é uma alegria perversa porque tem como única finalidade nos deixar contentes com o “destino” que nos é oferecido e ainda ficarmos gratos aos carrascos por essa alegria azeda que faz transbordar das nossas faces sorrisos amarelos de medo.
Não tenho a menor duvida que neste país o crime é algo gratificante, em verdade qualquer criminoso aqui tem toda uma estrutura jurídica pronta para defendê-lo e inocentá-lo de seus crimes. O bem tem como parceiro quase sempre a solidão, o degredo e a morte inglória no esquecimento e tudo isso alarga o caminho para o sepultamento da felicidade e glorificação da alegria momentânea como área de escape para fuga diante tanta angústia e é aí que a própria vida deixa de ter importância, o norte para viver passa ser o estômago e não a consciência.
Ser feliz, chegar ao fim da vida e fazer um balanço de que valeu a pena viver, saber que você cumpriu o papel para qual assumiu responsabilidades, ter contentamento íntimo com você mesmo, olhar para sua família sentir orgulho dos filhos que tem, dos amigos que fez durante todos esses anos. Ser feliz é a realização pessoal do bem que desejamos para nós sem fazer de coração algum ponte para nossa felicidade pessoal.
Vivemos o tempo dos corações ilhas, das razões egoístas e das traças sociais que vão corroendo a todos em silêncio. Ter por si mesmo respeito é o primeiro passo para além de sermos alegres sermos também felizes, ter consigo mesmo respeito exige de nós também ter pelo outro igual sentimento.
Contatos: ediney-santana@bol.com.br ou http://edineysantana.zip.net







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