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Pedagogia do medo

Um dos grandes problemas da humanidade neste momento é a celebração dos ganhos materiais sobre os espirituais. A existência passou a ser pautada pelo acumulo de bens e riquezas, assim para existir e ser vale o quanto acumulei e não meu capital puramente humano, ou seja, minhas virtudes.
Ganhos espirituais não têm nada aqui haver com religiões, me refiro as nossas virtudes que tem como função nos harmonizar com nós mesmos e com quem nos relacionamos no dia dia. E muitas dessas virtudes se perdem em meio a aspereza da auto-afirmação que nos é cobrada a todo custo para que possamos ter ao sol o tal lugar.
Virtudes como gentileza, cordialidade, solidariedade, bondade, gratidão e justiça são colocadas no limbo das fraquezas humanas, assim se você for uma pessoa gentil e solidária será entendida como alguém fraco e que não tem comando na própria vida e pode ser facilmente ridicularizado. Ser forte nestes tempos de morbidez humana é ser áspero consigo mesmo e predador com tudo e todos que encontramos pelo caminho.
O resultado disso é uma vida gueto, excludente e miserável. Os ricos têm a tola ideia de que estão protegidos dos riscos de uma vida sem propósito algum além da eterna busca de saciar seus estômagos viciados em sempre ter mais e mais e mais, por outro lado os pobres confundem alegria momentânea com felicidade, assim pequenas fresta de sol fazem todos viverem esse estanho êxtase de que a vida vale pelo momento que ali tudo parece perfeito e não conseguem por isso mesmo enxergar o óbvio: a quase sempre manutenção da ordem social, ou seja, se em dor viver a dor certamente vai se perpetuar, mesmo que às vezes venha maquiada de uma alegria qualquer, a dor de viver é sublimada pelos momentos de alegria digeridos como se fossem momentos de felicidade e conquista.
Trilhamos o caminho da Pedagogia do Medo, o melhor sentimento que parece podemos ter para com o outro é a desconfiança de que a qualquer momento nosso tapete pode ser puxado e o outro tem os mesmos sentimentos para conosco. Assim perdemos algo maravilhoso que é a confiança, ter confiança é saber que temos para com as pessoas a nossa volta um relacionamento mútuo de solidariedade.
Todo esse triste estado de vida nos leva a barbaria social, onda de crimes, a própria vida perde o sentido assim, o mal parece não assustar mais, nos habituamos a um permanente estado de stress, sentamos no sofá, bebemos nossa café enquanto corpos mutilados são apresentados com uma naturalidade constrangedora. Nos despimos da nossa humanidade e nos vestimos com algo terrível: a indiferença com nossa própria vida.
Outro dia em uma manifestação na Praça da Purificação de professores e professoras em greve olhei nos olhos de uma professora que não apoiava a greve e tão pouco a manifestação de suas colegas e o que vi foi a seta do ódio e do desprezo pelas pessoas, tanto ódio, tanto desprezo pela vida faiscavam daquele olhar que me senti mal e preocupado pois a tal professora é responsável pela educação de crianças e já mais quem cuida de crianças pode em hipótese alguma demonstrar ou ter desprezo pela vida.
Perdemos o rumo quando aceitamos o ódio ou mal por alguma vantagem pessoal, assim se você erguer sua voz contra alguma estrutura errada ou demonstrar insatisfação com erros contra a vida tenha certeza que será pessoa não grata por boa parte da sociedade. Desgraçadamente no Brasil, em especial, o dinheiro é sempre bom, não importa se ele tem no seu rastro sangue, mortes e toda sorte de crimes, nada disso importa, vale o que ele pode fazer ali naquele momento assim perdemos o rumo e a vida sua razão de ser.
A natureza ao nos conceder a vida coloca no nosso corpo o relógio que marca as horas exatas para nossa morte, faz isso para lembrar a todos que somos mortais, que dia menos dia entraremos em um caixão, muitas pessoas se esquecem disso, mas esse dia, o dia da nossa morte é a conta que a natureza nos cobra por nossa presunção, vaidade e arrogância. A próxima vez que você for a um enterro olhe bem para o morto, o que você enxergar é que a natureza reserva para você, portanto a justiça já foi feita quando nascemos, o que nos resta agora e nos tornamos mais sinceros e menos perversos para com nos mesmos e a própria vida que temporariamente nos foi dada.
contatos: ediney-santana@bol.com.br ou http://edineysantana.zip.net









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