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Sangria

Cortar o que tiver de ser cortado, sangrar de uma vez o que tiver de ser sangria, sofrer por estágio é para quem tem vicio em desgraças pessoais, eu não, morro logo e espero o momento inexato para renascer, antes só que acompanhado por fantasmas.
Viver como alma penada na dependência de corações mal assombrados não é para mim, vago só e gozo em minha solidão. Corpos cansados, carregados de medos fazem mal ao gozo. Escrevo poesia para depois e depois e depois do amanhã não há nada para ser dito hoje. A lanterna não traz luz, nada de ser refém da energia que vem do outro, não sou niilista apenas vaga vogal acrílica perdida nas tuas tatuagens tristes.
Estou ouvindo “O Soldado e o Anjo”, dos Secos e Molhados, quase posso ver você aqui com seus cigarros, seus amantes e amigos. Gostar é saber ser amante, ser o outro e ser ninguém em vida de pessoa alguma, gostar é algo meio ser capacho.
Algumas abelhas estão aqui nos meus braços, fazem mel e estão rindo dos meus cabelos molhados, nada de cansaço, deus nos tem como filhos só durante o dízimo das dores, me ama como eu sou... Não sou nada.
Sempre sonho caindo, caindo no vácuo, no nada, como se a alma (se é que eu tenho uma) fosse para um canto e uma tonelada de nuvens desabassem sobem meu corpo. Nada é mais bonito que o dia cinza desse quase inverno e você como sol nascendo ao meu lado.
Vem como um sonho primavera, eu também sou primavera catingueira, um anjo sempre me protege, há um dia profundamente azul, tua língua tem sabores de queijo em alecrim.
Eu amo, amo... Tenho dois amigos e um milhão de estrelas no meu quarto, que me importa as dores sentidas, nada é sentido para sempre, fica a palavra na biblioteca Padre Loureiro, o licor no Bistrô e alguém amado em silêncio.
Dor é dor e deve ser sentida de uma única vez, é a dor que se faz dor por negarmos o óbvio: o prazer não nos quer pela metade em seu colo.
Toda cor é a cor não vermelha do bem, sou todo coração, coração feminino, ácido e feliz em dias de brigadeiro, bebo milagrosamente a canção do tempo e quase não sinto as asas oferecidas por mãos impuras e divinas.
Meu amor é uma corda a me enforcar, o amor não compartilhado é suicídio, pulsos cortados em banheiro público, festa sem convidado, é morte na certa... Vou morrendo: dor no fígado, estômago, rins, coração, bolsa escrotal e alma enferrujando.
O bom tom da escrita é o tom do fazer bem e ser divino, divina é a sabedoria dos ratos roubando ratoeira e sendo eleitos prefeitos da confraria dos idiotas.
Sou tão elegante quanto um tubarão branco, adoro meu sotaque nordestino, minha fome nordestina e meu tesão mar e sal da Bahia. Quem tem medo que não viva, eu vida e amor em tesão infeliz, eu carne e porção carne alguma, deixa beijar você, deixa eu amar você como se ama as andorinhas sem árvores deste outono nuclear.
Não somos feitos para solidão, o corpo arde, febre pede colo. Há quantos anos você não vive? Quais são os milagres deste teu novembro? Todo silêncio é um revelação ou de medo ou coração.
Minha palavra é a razão da não razão, milagres são milagres só quando acontecem com o vizinho, comigo é ciência ou mentira. Mentira é a verdade que consola ouvidos imbecis. Quero você vestida com as roupas do rei, nua e divinamente puta, todas putas são divinas como divina é toda mulher.
Sangrei, bebi fel e senti a dose exata do amar não transitivo, visto a camisinha e vou à luta, luto com as armas deste amor, mesmo intransitivo: amar.
Contatos: ediney-santana@bol.com.br ou http://edineysantana.zip.net





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