Vá porrar o diabo

Todos nós temos nossos momentos de “porras”, “dana-se o mundo” ou “ vá se fuder” , mas “ “porrar” o mundo o tempo todo é extrapolar todas regras de convivência com nós mesmos e com quem esteja por perto. Um comportamento intolerante pode nos dizer muito sobre uma personalidade, principalmente o quanto ela não serve como parceira das nossas sagradas rotinas que ao fim é composta por pequenas negociações e conflitos.
Percebi que estava ficando intolerante com pessoas intolerantes, ou seja, estava me tornando justamente uma das coisas que mais odiava, notei então que “Pra pedir silêncio eu berro. Pra fazer barulho eu mesmo faço”, como canta Rita Lee, nem sempre é um bom caminho. Em tempos de nervos geléia buscar caminhos mais suaves para pedir silêncio, resolver conflitos sem armar guerras é mais que uma carta de educação é garantir nosso lugar neste rascunho de civilidade que ainda nos resta.
Raul Seixas nos canta: “Querer o meu. Não é roubar o seu. Pois o que eu quero. É só função de eu.” Maravilhosa lição, querer o meu, ter o meu espaço não é roubar o sol de pessoa alguma, eu quero fazer meu “eu” existir, ter nele a função de ser presente nos meus atos de vida e isso não é negar o “eu” ou o “ser” de pessoa alguma.
Recuso-me a viver como se fosse um vampiro sugador de energia, vampiro que para garantir sua vida destrói vidas, ter par no mundo não é vampirizar esse mundo é dele saborear o seu bem e deixar sementes para que outros mundos surjam e outras pessoas também saberem cada uma o seu bem ao seu tempo.
Não prego a santificação das relações, sei muito bem que o que garante nossa existência, inclusive dos santos, é o pecado, o pecado possibilita a vida. O que prego é a delicadeza, suavidade, autoridade no lugar da força, palavra forte no lugar do grito.
Confesso o quanto tenho me feito coração ilha e o medo sentido por mim de perder a alegria do viver gente, respirar o cheiro de um corpo suado, da mão na mão, da alegria de dizer “você é meu amigo”. Ter o coração em tempo sempre de portas abertas é algo cada vez mais raro,há os doentes e seus egos cretinos querendo sempre nos levar para seus mundos ásperos e estúpidos e há também que manter a calma, não gritar para pedir silêncio já é um novo desenho para quem saber essa tão civilidade ser além de um rascunho entre eu e você.
Contatos: ediney-santana@bol.com.br ou http://edineysantana.zip.net



















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