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E os meus cabelos quase brancos

Minha geração começa a envelhecer, já somos quase todos quarentões, o corpo começa a mudar e as prioridades já são outras, há quem diga que a velhice é um estado de espírito, também acredito nisso, mas há a velhice biológica e essa mais que um estado espírito requer cuidados.
Velhice não é sinônimo de doenças ou morte, a morte e a doença estão presentes em todas as fases da vida, mas é na velhice que começamos a renascer em uma nova infância, porque como crianças estamos mais fragilizados, como na infância a velhice faz o coração acelerar quando alguém querido chega mais perto e nos oferece proteção e carinho.
No Brasil de agora muitas famílias são sustentadas por aposentados e pensionistas, com o crescente desemprego os idosos acabam sendo responsáveis por cuidar e alimentar a família dos seus filhos, toram-se pais e mães dos seus netos, nas pequenas cidades são eles os responsáveis por movimentarem a economia.
Ser idoso no Brasil não é fácil, assim como muitas das nossas crianças penam ainda no trabalho infantil, exploração sexual ou no abandono afetivo, muitos idosos são “esquecidos” em albergues, vítimas de violência pela própria família ou simplesmente
ignorados pela sociedade. Um país que trata seus idosos como tanta falta de respeito é um país incivilizado.
Geriatria é a especialidade médica devotada a cuidar de idosos, essa especialidade é rara e é rara porque é uma das últimas opções que médicos fazem quando vão se especializar, o resultado é que faltam profissionais de saúde para cuidar dos nossos idosos, planos de assistência médica relutam em aceitar idoso como conveniados.
Muitos idosos morrerem sem terem suas causas jurídicas julgadas, causas como revisão de aposentadorias, litígios com empresas, planos de saúde ou ações contra o governo. Se a justiça geralmente é lenta, para os idosos ela parece simplesmente não existir.
Em Santo Amaro os idosos lutam há anos pelo passe livre no transporte urbano, como ônibus e vans que circulam pela cidade e distritos, e mesmo com esse direito assegurado no Estatuto do Idoso, nossos idosos continuam pagando passagens, passagens que ao fim de um mês consomem boa parte da aposentadoria já tão comprometida com, por exemplo, por despesas médicas.
A organização mundial de saúde (OMS) fez uma estimativa que até 2050 seremos o sexto país do mundo em número de idosos. Atualmente no Brasil 10 % população é de idosos, ou seja, 20 milhões de pessoas no país já são consideradas idosas, desses segundo o IBGE apenas 0,8% vivem em asilos, no Brasil temos 3.548 asilos, dos quais 218 são públicos.
Os dados provam que somos um país que envelhece, nossa expectativa de vida aumentou, mas não estamos preparados para lidar com uma população idosa, mesmo com as conquistas do Estatuto do Idoso há um longo caminho que deveria ser encurtado agora. Garantir assistência médica, lazer, esporte, cultura e uma aposentadoria que não seja dia após dia tragada pela inflação e descaso dos governos são metas para atingirmos neste momento.
Na linha da cidadania os idosos são sempre colocados no fim da fila ,quando a cidadania não deveria ter classe social, faixa etária ou linha, cidadania é cidadania e todos devem ter acesso aos bens matérias e imateriais que garantam uma vida saudável e estável. Rever políticas públicas que garantam ganhos na qualidade de vida dos idosos e principalmente revermos nossas atitudes e preconceitos, porque uma coisa é muito simples: sua juventude de hoje, se você tiver sorte, será a velhice de amanhã.
Contatos: ediney-santana@bol.com.br ou http://edineysantana.zip.net





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