Pular para o conteúdo principal

“Me casei é isso não é um crime contra o amor?” *

Hoje fui andar pela feira livre de Santo Amaro, olhar o movimento de tantas vidas no ir e vir de algo que por vezes parece ser banal, mas não é. Na feira todos tem voz e voz alguma é ouvida, não é só o lugar de consumo, é também uma referência cultural de varias vozes e sotaques.
Quando já estava de volta para casa, olhei e vi a capa do filme “Esses amores”, lançado em 2010 pelo diretor frances Claude Lelouch. Só o comprei porque reconheci na capa o ator Jacky Ido, ele atua no filme como o soldado Bob Kene que luta na 2ª guerra mundial.
Como foi bom reconhecer o Jacky e comprar o filme. Em plena 2ª guerra Ilva Lemoine personagem vivida por Audrey Dana vive dramas sentimentais entre amores e bombas a desabarem sobre uma Paris tomada por nazistas, mas que resiste não só no front, mas também nos seus cabarés, cinemas e teatros.
Ao contrário do Brasil que não precisa de nazistas para destruir o que de melhor pode ser encontrado em um país, a França mesmo depois de duas guerras mundiais nos mostra o quanto para se preservar e sempre manter vivo o fazer cultural o que necessitamos mesmo é de um povo.
“Esses amores” também é uma espécie de cine-biografia do seu diretor, nos mostra ele sua visão de amor através dos olhos de personagens magistrais e de uma música impecável. Para mim um bom filme começa com a união perfeita entre fotografia e roteiro, música e poesia. “Esses amores” têm tudo isso.
Não creio que pessoas vivam na frente do seu tempo, para mim só é possível viver cronologicamente atrasado, os cientistas que desenvolveram armas poderosas, bombas atômicas e químicas durante a segunda guerra mundial não eram chamados de pessoas a frente do tempo, embora suas invenções estivessem na vanguarda da destruição.
Ilva Lemoine vive intensamente todos seus amores, não importando o que sejam eles ou representam, apenas ama e ama todos com a mesma intensidade, bebe, fuma, frequenta inferninhos e se separa de um dos seus maridos. Por tudo isso ela é sempre retratada como algum fora do seu tempo, ela não é além do seu tempo, vivia e ama o que tinha de ser vivido e amado, enquanto trabalhava como lanterninha no cinema do seu pai vivia entre a ficção e uma realidade cadavérica.
“Esses amores” é um belíssimo filme, nos convida para ouvir boa música, ótimas interpretações, festejar a vida, mesmo entre bombas, amar e tão somente amar no tempo exato o qual vivemos.
Contatos: ediney-santana@bol.com.br ou http://edineysantana.zip.net
*Frase dita por Ilva Lemoine em “Esses amores”



Postagens mais visitadas deste blog

"A felicidade é uma arma quente”

Eu que nunca saio do meu lugar exílio, imagino como o mundo deve ser lindo. Estou tão fantasma em Santo Amaro que me considero um prisioneiro condenado a devorar-me sem piedade e pouco a pouco ir morrendo de tantas angústias que não há sol a iluminar tanta escuridão.
Você descobre que está ficando para trás quando todos da sua geração foram embora. Quando esses seus amigos voltam à cidade e você só fala com eles do passado é sinal também que a amizade já era, ficou presa em algum lugar desse mesmo passado. Nem eles e nem você cabem mais na vida um do outro.
Acostumar-se com migalhas de felicidade, com aparente segurança da rotina é um passo certo para pararmos no tempo, para voltado às pequenas coisas nos tornamos bobos de uma corte morta há tempos.
Torna-se um monumento não é bom, se isso acontece quer dizer que mesmo você estando vivo, todos vão considerá-lo morto. Tenho a impressão que a natureza só mata alguém quando esse alguém já não interfere nem para o bem nem para o mal na vida…

Carta para daqui a 50 anos

Hoje é sábado, 29 de junho de 2013, São Pedro, últimos dos santos juninos, aqui perto em São Francisco, vai ter show “grátis” do Chiclete com Banana, claro que não vou, tem gente em excesso de suposta felicidade e acho um saco tanta gente feliz junta por quase nada, não que eu seja triste, mas a minha felicidade repousa na linha do horizonte, não se resume a uma multidão insana pulando e gritando: “chicle...tê!!!! Em 2063, o maior plano é tá vivo, curtindo minha velhice e ouvindo as histórias da minha filha, ler essa carta nem que seja com uma lupa daquelas de Sherlock Holmes, talvez olhe para uma foto minha de hoje e diga: elementar, meu caro, tudo no fim deu certo. Não pense, eu de hoje, que meu sonho é só envelhecer, há o recheio, como de um sanduíche que comi certa vez e daria para alimentar um uma fila inteirinha de pau de arara, pau de arara eram caminhões que certamente devem ter levado muita gente minha para São Paulo, gente que por lá trabalhou duro e morreu da mais profunda…

Como é viver com ódio?

A internet parece ter sido transformada na vitrine do ódio. Sempre encontro bons vídeos e sites na internet com conteúdo interessante e instrutivo, mas esses sites e vídeos têm baixíssimas visualizações, por outro lado sites e vídeos com conteúdo de ódio ou violência têm milhares de acessos. Canais de políticos que não tem nada de proativo ou ideias criativas e práticas, mas explodem de ódio batem recordes de seguidores que expõe ódio, violência verbal e ameaças.   Parece ser um estado permanente de ódio, seja religioso, sexual, político ou cultural, nada escapa ao ódio. Algumas manifestações de ódio são abertas ou diretas, outras são disfarçadas de altruístas, mas todas têm como objetivo neutralizar qualquer voz dissonante dos que esses furiosos ambidestros pretendem. No mundo da violência emocional odeia-se por um único motivo: não há no mundo espaço para concepções socais diferentes das quais a ambidestra cavaleira do ódio defende.   O ódio emburrece, torna bruto corações e mentes…