Da morte e outros medos

A vida é essa contradição mais que absurda, nascemos e começamos logo nossa jornada em direção a morte. Somos o engano de muitos acasos e talvez o mais sublime seja a própria vida. Ficar parado é que não podemos, há uma vida para ser vivida, para ser gasta, porque se não a gastamos a morte sem piedade vai gasta-la de qualquer maneira.
Esse corpo que muitos dizem ser apenas a sustentação para uma suposta alma por vezes é um castigo dos mais infelizes, tão frágil ao descer a terra nem pó fica. Para mim que sou mais corpo que qualquer outra porção divina que possa existir por aí não há como não beber a seco algumas angústias.
Às vezes ouço Paul Mauriat, músicas recriadas com certa nostalgia, eu adoro senti nostalgia ao som de canções antigas algo que recria a vida em emoções não minhas, senti o quanto talvez fosse melhor sentido quando tudo era fotografias preto e branco.
Fotografias em preto e branco, Paul Mauriat, nostalgia e uma noite longa de ritos medievais. Tudo é mágico como princesas guardadas por dragões, pouco sobra de nós quando a morte sopra sobre a vela seu vento gélido, tudo passa tudo finda, olhamos para céus e há apenas o vazio.
Olho para os objetos os quais estupidamente chamo de meu, nem o que sou sou eu em verdade, uma sombra só existe por causa da luz, um objeto a nos olhar existe para adocicar nosso engano, tudo é de quem sempre foi, da natureza, nós não vamos muito além dos objetos decorativos na mesa posta do café da manhã.
Talvez toda vida seja um eterno café da manhã, vamos tentando de todas maneiras preservar o sabor do pão quentinho torrado pela mainha, aquele chamar gostoso para ir a escola, o tempo no qual todos estavam vivos e juntos parecíamos eternos. A vida poderia ser esse café da manhã com mirabel e ki suco na merendeira. Aquele cheirinho é inesquecível, cheiro de infância, simples e maravilhosa infância.
http://edineysantana2.blogspot.com/, ediney-santana@bol.com.br, http://edineysantana.zip.net

























Postagens mais visitadas deste blog

Mãe

A onda da mediocridade

Caetano Veloso, Chico Buarque e Jean Wyllys