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Mergulhar

Mergulhar nas coisas e nos seres, deitar entre saudades e amanhecer leve, pronto para fazer de cada momento do dia um grande e único dia. Ser o bem que em nós nasce, mas não pode e não deve morrer. Nunca ter com o mal nenhum tipo de verdade, o mal não pode nos levar o bem.
Aznavour girando na Gradiente, os ossos de minha mãe envelhecendo, Deus dorme na velha bíblia empoeirada e como Cristo vou renascendo, todos os dias são meus domingos, o que é sincero não pode ser vencido pela morte.
Alguém me escreve, pede conselhos, eu não tenho nada para minhas emoções e o que posso fazer pelas carências alheias? Ira para Purificação ri das coisas repetidas e esperar que um anjo me segure nas mãos e diga: eu amo você. Anjos não existem neste submundo emocional em que vivo.
Estou lendo Cinema enquanto vinho se vai, é tarde calma de inverno no recôncavo, queria ir a Cachoeira, ser feliz, escreve um livro com emoções envelhecidas, reencontrar meus mortos, saudade do meu pai. Tristezas? Não, alegria entre aspas.
Sou um poço radiante de esperança. Mas um poço com fundo bem definido, esperança e poço são duas imagens que não combinam. Então melhor dizer que sou como nuvens radiantes de esperanças, na visão de quem tem sede nada é mais comovente que nuvens cinza.
Mergulho no árido coração da minha terra, brotei cactos entre estrelas caídas na solidão desse riso, é preciso ser forte quando o riso nosso for também uma maneira de chorar no escândalo mentiroso de que somos felizes.
Não suporto a sensação de felicidade, quero é ser feliz de verdade, chagar ao fim da vida sem medo da morte, mas com a certeza que cumpri minha missão, não fui o emissário da dor na vida de pessoa alguma. Tem vida melhor que morrer sem medo da morte? De saber o quanto vivemos profundamente a própria vida?





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