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“A vitória e sempre” *

A vida só acontece na coletividade e é indiferente ao individual, quando alguém morre a vida segue no coletivo que passa, no moto em alta velocidade, no bater da saudade de um coração qualquer, o olhar indiferente que não sente o coração morto na madeira cinza de um caixão nunca vida.
Não há vida fora da coletividade, a morte é o resumo da nossa vida ao insignificante que somos, a vida tem desprezo por quem morrer, morte e vida não ouvem nada, não sentem nada, quem sente são nossos corações cheios de ilusões.
Teu cigarro, minha tristeza social, meus amores nunca pausas em meu coração, o ódio e a santidade pouco importa, tudo só se resolve na coletividade, um coração triste é só um coração triste, um milhão de corações felizes é qualquer coisa entre abismo real e risos bobos reunidos. A morte vence, a vida dança e ri de tudo.
Cai alguém, morrem milhares, do outro lado da rua alguém com mais alguém chupa cana, então nada é mais vida que essa indiferença de quem chupa cana diante ao horror da morte. Acorde, ame, ame muito porque seu caixão será feito sobre a indiferença de um Zé do Caixão sem lirismo algum.
Não há lirismo na vida reta e previsível de quem ama só e morrer só, ame na coletividade, viva com seus amigos, abrace os corações em dor, mas não queira o trono do isolamento, mesmo que seja em ouro, viva uma vida latão, mas que seja coletiva. Adeus Camarada Charque.
* Na foto ao meu lado  Camarada Charque ( Edivandro) morto em 27 de agosto de 2012



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