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Adestração para os olhos

A democracia corre perigo quando o poder judiciário e legislativo passam a ser serviçal do poder executivo, quando o executivo não passa de uma gerência das narco- empreiteiras e toda tipo de criminosos.
A democracia corre perigo quando a adestração para os olhos passa a ser regra pedagógica, pelos olhos chega o encanto que seduz para morte, o povo ri, porque o riso sem por que é o chorar que sempre chega carregado de dor quando o corpo frágil é assassinado pela falta de médico ou de segurança pública.
Democracia corre perigo quando o povo se recusa ao debate e tem nos seus governantes modelos de santidade. A democracia corre perigo quando a máxima expressão da cidadania é a conveniência celebrada em pactos com a bandidagem política do país para se conseguir qualquer tipo de vantagem independentemente da dor e destruições que isso cause as pessoas.
Essa é a república da “farinha pouca, meu pirão primeiro”, do país sem Estado, do Estado sem nação, do país que confunde civismo com um time de futebol, de um país em que pais se emocionam com um gol e ficam passivos diante a destruição do presente e futuro dos seus filhos pelo estado político e socialmente criminoso chamado Brasil.
A democracia corre perigo quando a plástica da cara vale mais que ter um bom coração, quando se perdoa criminosos de terno e gravata e se pede pena de morte para batedores de carteira, a democracia corre perigo quando partidos políticos são transformados em esconderijos de bandidos.
A democracia corre perigo quando se acredita que a sociedade é dividida entre mocinhos, bandidos, oprimidos e que necessitamos de heróis salvadores. Não precisamos de heróis, precisamos é ter respeito por nós mesmos, ao próximo e a ética pessoal e cidadã.
A democracia corre perigo quando um monte de merda é transformado em maravilha da “civilização” por uma mídia medíocre, interesseira, comprável e escandalosamente previsível, mídia conservadora viciada em repetição porque sabe o quanto a repetição fortalece o viver sem existir de parte considerável da nação.
A democracia corre perigo quando qualquer um que tenha dinheiro é tratado com afagos e carinho, mesmo que esse “qualquer um” reze todos os dias para Adolfo Hitler, no Brasil ter dinheiro é ser “gente boa”, “gente fina”, “tudo que fez foi para se defender”. No Brasil ter dinheiro é ficar a um passo para ser santificado. O dinheiro por aqui purifica qualquer coração criminoso e enterra qualquer verdade cidadã.
A democracia corre perigo quando palavras como: pensar, agir, contradição, duvidar, criar, inovar são varridas para debaixo do tapete e em seus lugares repetem-se palavras como: cotas, assistencialismo, bolsas disso ou daquilo, paternalismo ou em uma frase: “seu futuro em nossas mãos”.
A democracia corre perigo quando igrejas são transformadas em palanques, quando fascista da fé transformam Deus em cabo eleitoral. Quando se justifica a existência do mal como algo necessário, nenhum mal é necessário. A democracia corre perigo quando universalizamos as misérias e censuramos nossas paixões para um mundo melhor, quando a descrença no bem perde para crença da supremacia do mal.

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