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Belle Époque

Foto-Fabrício Pacheco

De uns tempos prá cá tenho ouvido pouca música, embora durma sempre com o rádio ligado (questão de hábito) pouco sei das novidades. Quase não sei o nome das bandas, cantores ou cantoras da minha geração e não tenho lá muita curiosidade em saber.
A música que mais toca aqui nos meus dias é instrumental. Velhos discos de vinis comprados no Sebo do Dinho, tenho afeto especial por Franck Pourcel e Billy Vaughn e todas vertentes da música erudita, ouço bem baixinho canções gravadas há mais de cinquenta anos, me deixam sempre emocionado.
Gosto de música, na juventude tive minha banda, a Flor Marginal, essa um fracasso do meu pedaço de chão sonoro, mas tudo bem nunca fiz nada perfeito mesmo, eu mesmo sou um rascunho de que gostaria de sido e nunca tive competência para ser.
Não tenho paciência para as mesmas coisas de sempre, neste momento que escrevo essa cronicazinha ouço Schumann (Concerto Romântico), hoje é um dia frio, calmo, se pudesse viveria nesse dia para sempre. Schumann e minha calma espiritual nessa manhã tem encontro perfeito.
O grande problema da minha geração é a ausência de causas, o litígio entre política e arte, o pacto silencioso com a perversão sistemática a controlar todos nossos passos. Não advogo que artistas transformem sua arte em palanque, não é isso, mas ao menos façam uma arte mais humana, mais sincera e não essa coisa horrorosa feita apenas para a pose e confraternização universal de uma alegria plastificada e previsível.
Estamos na geração da ressaca, assistimos na TV a juventude que nos anos de 1960 tentaram revolucionar para o bem esse país sendo agora processada por crimes contra vida, a geração que ta nos sucedendo cada vez mais encantada com um chip ou uma “nova” tecnologia qualquer é incapaz de se comover quando ao seu lado pessoas são tragadas pela fome e miséria.
Diante tanto vazio ligo minha velha Gradiente e faço do meu canto minha Belle Époque, longe de me tornar alienado, apenas me permito aos meus momentos nos quais posso ri, chorar e ser feliz sem medo ou vergonha.

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