A vida que vence a morte

O mais grave da morte é a completa falta de consciência do morto que não está mais vivo. O morto não sabe que morreu, o morto só morre, quem fica sente mais ou menos a dor de quem se foi. Chico Anysio certa vez disse que não tinha medo de morrer, tinha pena, pena de deixar o que talvez nunca tivemos: vida. Porque nada temos, somos viciados na ilusão da posse, tolos que se perdem no egoísmo que termina quando nosso corpo e servido aos mistérios da natureza.
Tenho simpatia pelo espiritismo, mas acho impossível viver no “além” para o “além”, aqui vivemos e aqui enceramos nossa aventura, isso sim é uma pena, no entanto desejar viver para sempre  também seria egoísmo nosso.
Queria mesmo é ter um amor desses com gosto de fim de tarde, que invade a noite entre lençóis despudorados e ternura extremamente romântica, um amor desses que amanhe delicado e dizemos: “bom dia meu amor”. A vida na leveza que desejo é tão simples como beber umas taças de vinhos, entrar no banheiro deixar a água cair sobre os corpos em delicadas frases: “amo você”.
Algumas lágrimas são boas,  lágrimas da emoção nos faz bem quando ao lado há algum a caminhar conosco pelos passos dessa vida que fizemos leve. Tudo isso nos leva o medo das dores, o medo tolo de não existir, trocaria muitos anos de vida por uma emoção sincera, um amor sem dor, viver sem acidez, algo casa simples coração simples.



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