Amor e cidadania

Penso que a grande vitória do Brasil oficial sobre esse brasil rasteiro e previsível foi nos matar a capacidade de indignação. Trocamos a ética pela moralidade, assim o que uma pessoa faz na cama, no bar ou igreja é levado mais em consideração do que suas ações no serviço ou gestão do patrimônio público.
No Brasil ainda se condena pela cor da pele, se contrata pela cor dos olhos, se vota quase sempre contra a parceria solidária entre cidadania e país, quase sempre a grande vencedora são as ilhas de conveniência nas quais cada um vive a ferrugem de sua felicidade de latão.
Em Santo Amaro o IDEB ficou entre 3,2 e 3,3 isso não causou indignação pelo contrário foi festejado e a cidade silêncio adormeceu.
Sem a capacidade da revolta pouco sobra para ações de tomada de consciência e cidadania, a dor é carta de visita aceita alegremente, a morte precoce dos sonhos se fortalece sobre nossas ruínas emocionais e pouco de fé nos resta para irmos além da nossa condição de quase coisas.
Manter a paixão para com o mundo, não nos deixar cair na previsível quietude estabelecida pelos que tem o aparente comando no jogo social é base para nos fortalecermos como pessoas e cidadãos.
Talvez falte amor, sem amor a cidadania pouco tem sentido, falo de amor profundo a si mesmo e nosso gênero humano, o amor que se fortalece neste olhar olho no olho do outro, o amor profundo e não egoísta.
Não acredito na nossa absoluta racionalidade para mim o que predomina mesmo são nossas emoções, saber lidar com nosso estado emocional é também uma arma poderosa e eficaz para trazer de volta nossa capacidade de indignação.
Não vivemos em uma sociedade de mocinhos e bandidos, oprimidos ou opressores todos os papeis sociais estão aí e todos podem exercer todos esses papeis por isso mesmo mais que manter uma postura moralizante sobre a vida precisamos fortalecer nossas instituições públicas.
Ser gente e ser capaz de vencer sem ter par com nossos instintos mais primitivos e mesquinhos, saber que no outro e para com o outro sou mais feliz e completo não é uma utopia é uma razão que sem ela nossa permanência neste planeta está seriamente comprometida.
Contatos:


Postagens mais visitadas deste blog

Mãe

A onda da mediocridade

Caetano Veloso, Chico Buarque e Jean Wyllys