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Profissão? Militante

Seja da direita, esquerda ou de coisa alguma tenho a impressão de que é no Brasil a maior concentração de idiotas profissionais devotados a “causas sociais” que essa gente pensa ter tido uma revelação divina para defender.
De socialistas eticamente delinquentes aos revoltados do sétimo dia todos estão convictos que fora das suas verdades políticas ou apolíticas não há salvação. Uma coisa une todos esses santos da ética intocável: a luta contra a corrupção.
Para a turma da salvação nacional corrupção é sinônimo de político, é meu caro, basta eliminar os maus políticos que o Brasil vai despertar do “berço esplêndido”. Simples não? Claro tudo isso feito com discursos metodicamente elaborados, afinal por aqui vale mais a forma que o conteúdo.
A maior desgraça do Brasil não é a corrupção, a corrupção é um dos sintomas de uma doença mais grave: a relação promíscua entre educação ruim e ética decadente. Mais do que fazer machas ou passeatas contra a corrupção deve-se fazer marchar para pedir uma profunda revisão no ensino.
O último IDEB apresentado mostra o tamanho da nossa tragédia e vergonha, no lugar de protestos, pressão da sociedade o que vi foi “especialistas” na arte do palavrório pedagógico comemorando, o que deveria nos envergonhar foi motivo de festa em muitos lugares do país.
O Brasil é o que é porque sempre tratamos a educação como acessório, aqui fazem relação entre pobreza e corrupção, falta de atendimento médico e corrupção, o carnaval do Rio de Janeiro e corrupção, quando tudo isso tem uma única raiz: educação ruim e ideologicamente permissiva com nossas mais profundas mazelas.
Nossas dores são dores plantadas pelo analfabetismo social gestados nos bancos das nossas horrorosas escolas, de uma fria e elitista universidade em que títulos, caras e palavrórios medonhos valem mais que ações sociais efetivas, nossas escolas se tornaram cárceres pedagógicos para professores e alunos.
Maus políticos, corrupção, artistas sem cérebro, escritores ilhados em suas dores de corno, vandalismo público, mensalão, Lula e FHC, Dilma e sua ausência política, mentiras, pastores delinquentes, padres crucificando Cristo... Tudo de ruim neste país tem raízes na educação pública e particular, untadas na massa de chumbo da indiferença social. O Brasil vira as costas para si mesmo, cada um em seu canto faz de si seu próprio país na ilusão de que se é feliz. Felicidade agonizante e mórbida de uma nação que se nega como tal.
Eu me sinto envergonhado com um IDEB oscilante entre 3,2 e 3,3 e gostaria que um milhão de pessoas saíssem nas ruas pedindo mudanças e não comemorando gambiarras pedagógicas que se escondem atrás do falso discurso de inclusão ou reparação social.
Nosso ensino fundamental foi destruído, o ensino médio forma para coisa alguma, a formação profissional dos cursos de licenciatura e uma piada tenebrosa. Tudo isso feito com elegância de um país que se orgulha da sua burrice, que elege a estupidez como meta de aprendizado.
Pedem mais recurso para educação como se isso fosse resolver nossos problemas, a educação não precisa mais de recursos financeiros neste momento, precisa de gestão coerente e competente e claro ser protegida para que bandidos não sangre os recursos financeiros destinados para ela.
Temos um ministro da Educação vazio, sem criatividade ou coragem política para enfrentar nossas mazelas educacionais, a atuação do ministro se resume a entrevistas cretinas e descoladas da realidade que vivemos. A ministra escolhida para a Cultura tem como histórico político o vazio, o nada para apresentar, em anos de vida pública será sempre lembrada por uma frase: “relaxa e goza”.
Temperando esse bolo de lixo ideológico vem à turma da despolitização sumária, verborragicamente ativa, mas presunçosas das suas verdades e tudo que conseguem é falar para si mesmos em um mantra santificado pela indiferença do próprio país.
Reafirmo, enquanto taxas de juro, passeatas evangélicas e gays, campeonato de futebol, carnaval, IPI reduzido, maconha transgênica e celulites ocuparem todos os espaços da mídia e cabeça do povo a ignorância será nosso cartão de visita. Vamos colocar cinco milhões de pessoas nas ruas pedindo mudanças para nossa estrutura educacional, escreva para seu time de futebol preferido e peça que antes da partida faça um minuto de silêncio pela educação, escreva para Ivete Sangalo e peça para ela ser menos ela e um pouco mais nosso país e no carnaval colocar uma faixa no seu trio pedindo reformas para educação, não assista novelas que não falem sobre nossos problemas reais.
Todo resto é bobagem, sem reformas urgentes na educação à única coisa a fazer é acatar o conselho da ministra da Cultura: “Relaxa e goza”.


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