Saudade é amor

Ediney Santana e Renata Maria
Hoje disse a minha filha Renata Maria: estava com saudade de você, ela respondeu que também estava com saudades de mim, perguntei então o que era saudade, ela respondeu: amor. Saudade como ter amor por uma pessoa, minha filhinha me dizendo isso e eu feliz por ter encontrado esse coraçãozinho maravilhoso aqui neste nosso universo.
Sim, Renata Maria, saudade é uma maneira de amor, de não nos sentirmos sozinho, é também a alegria de voltarmos para casa e encontrarmos nosso coração feliz no mundo. Em uma canção de Peninha há uma definição que gosto muito sobre saudade: “Ter saudade até que é bom/ é melhor que caminhar vazio”. Em “Sonhos”, Peninha coloca aspas na saudade: “até que é bom”, claro bom mesmo é estarmos próximos, mas na impossibilidade disso é melhor a saudade que o vazio do sentimento.
Sou saudosista, sinto saudade dos meus amigos, infelizmente cada vez mais distantes, saudades da minha avó e do meu pai, saudade de 1983, tudo porque em 1983 passava na Tv Itapoan o clube do Clube do Mickey e as aventuras do sempre triste Cacá. Saudade até que é bom, melhor que caminhar sozinho.
É claro que nenhuma escuridão é para sempre, meu coração quando encontra o teu é alegria honesta, vida que se renova, nossas vidas são tão cheias de luz, ligo rádio e uma canção me leva até você meu amor.
Saudade é amor, sou saudosista do tipo que chora com filmes de final feliz e me vejo ao final do filme com minha história também tendo um final feliz. Minha mãe me disse ontem: “tenho medo de morrer e deixar você aí, você nasceu com minha sina de sofrimento, quando morrer quero deixar você encaminhado na vida”.
Como se encaminha alguém para felicidade? Não sei felicidade talvez seja algo intransferível, não que eu e minha mãe não sejamos felizes, somos, mas temos la nossa saudade de outras felicidades. O passar do tempo traz suas assombrações medievais, como um carnaval de assustadoras caretas, mesmo cientes que por debaixo daquelas máscaras há gente sentimos medo, talvez justamente por ter gente ali embaixo das máscaras de lobisomens em papel crepom.
Felicidade, amor e saudade. Faço uma paráfrase de “Gente Humilde” (Chico Buarque, Garoto e Vinícius de Moraes): eu que não creio peço a Deus que esta saudade seja sempre um tempo bom, um tempo prévia de alegria.

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