Carta a Mariana

Ontem à noite quando colhemos as últimas estrelas você parecia doce e gentil, estrelas eram suficientes para nossas vidas beneditinas, mas veio o dia e com  ele o sol, infame sol e apagou nossas estrelas, você se revelou áspera e amante de guilhotinas, cortou o que tinha de ser cortado. Voltei para casa, dormi dias e noites, nunca mais olhei para o céu.

Carta a Mariana II

Hoje pela tarde tive febre, consumi remédios em copo de água gelada, há algumas dores elegantes, dessas que nos mostra a morte e morte nos da uma banana como quem diz: sofra mais um pouco miserável.

Carta a Mariana III

Você me ensinou que o melhor lugar do mundo é o lugar das decepções que sem ele somos sempre essa inocência tola, a mesma inocência que me fez acreditar no teu gozo singelo ao fim da tarde.

Carta a Mariana IV

Hoje encontrei em páginas já amareladas, guardado dentro de um livro essa poesia “Mariana é linda como quem foi feita para mim”. A autoilusão poética é a menos sentida.

Carta a Marina V

Vi na TV que em sua cidade há framboesas e acácias, em Santo Amaro havia acácias na margem do rio, todas mortas como são mortos teus sentimentos por mim.

Carta a Mariana VI


Fim

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