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“Céu de Santo Amaro”

A ignorância de um povo se mede pela sua estupidez e não por uma palavra escrita certa ou errada ou se a pronúncia de uma palavra foi respaldada pela “norma culta da língua”. A língua do maucaratismo, da falta de vergonha na cara, da promiscuidade social e da presunção desconhece gramáticas.
Atitudes éticas não tem nível ou classe social, pode- se ter atitudes éticas vivendo embaixo do viaduto ou em uma mansão, assim como também o maucaratismo não tem fronteiras sociais.  O problema é que nossas relações sociais são cada vez mais pautadas pelo que cada um tem e não pelo que em essência cada um representa.
Essência de cada um? Na regra posta neste tabuleiro repleto de mediocridades na maioria das vezes pouco importa se essencialmente se é um facínora ou um bom coração, vale o que se tem, vale quanto lucro se pode ter em um relacionamento, nada que não possa capitalizado é levando muito a sério.
Nossas relações sociais tem se deteriorado com a mesma rapidez que perdemos o respeito com nossa própria história enquanto pessoas, gente e cidadãos, a vida perde seu próprio sentido que é existir para além de nós e cai-se na áspera alegoria de que vivemos para pessoa alguma, nos nivelamos às coisas.
Cada um fazendo-se ilha de si mesmo, naufragando na ilusão de que se é impossível ser feliz para além do que não for ganho, lucro ou perspectiva financeira. Morremos algemados a indiferença que impomos entre nós e o amor.
Calma o mundo não acabou, e como dizem os antigos da minha família: o mundo nunca acaba quem acaba somos nós. Em pequenas ações vejo surgir bons corações, se nos anos de 1960 queríamos mudar o mundo, agora mudar nosso comportamento dentro de casa, na nossa rua, não revistar velhos erros, cuidar das árvores da praça, tratar o outro com mais solicitude, tudo isso tenho visto por aí. Nossa percepção individualista de vida vai se transformando em algo positivo.
Redescobrir o prazer de simplesmente sermos, aceitar a fala do coração, dizer não a imposição gramatical os sentimentos para o ferro e fogo que tenta a todo custo matar nossa essencial emoção que nos alegra neste viver para nós sem nos punirmos por vivermos também para o outro.
Talvez seja possível um socialismo do ser pelo ser, um socialismo que não aposte na luta de classes, mas na buscar pela harmonia das pessoas enquanto pessoas. No fim aprendemos que todas classes vivem em guerra com elas mesmas e com tudo que não for espelho das suas expectativas.
Não tenho a ilusão de uma humanidade harmoniosa cheia de anjinhos de cristal. Nada disso. Os conflitos fazem parte da nossa natureza, o que advogo é que nesses conflitos sejamos honestos e leias com nossa própria condição de pessoas, vivemos na luta pela sobrevivência, mas não é preciso fazer disso palco para nossas psicopatias artificiais, aquelas loucuras que nasce da estratégia de dominação e humilhação do outro.
Bem, por hoje é só, enrolo minha gramática pessoal, fecho meu teatro, vou ao Bistrô do Miúdo beberica solitariamente minha cerveja e olhar o céu de Santo Amaro.
ediney-santana@bol.com.br

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