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“Meu coração é a liberdade”

Não se iluda meu rapaz, aqui é a Bahia, nada parece ser o que é: o liberal da esquina no fundo é mais conservador que um monge medieval, muitos altruístas ativistas têm ONGs, lutam bravamente para melhora suas próprias vidas, quem é de esquerda tem postes de Hitler no quarto, quem é de direita espera o vencedor para se declarar servidor mor. Aqui é a Bahia terra dos ativistas de DCEs e Das virtuais, ativistas de mesa bar, santos rezam a satanás, mas juram ser cristãos praticantes e tementes até aos pregos que pregou Cristo na cruz.
Não se iluda moça, aqui é a Bahia, seus filhos “ilustres”, vivem no Rio de Janeiro e em São Paulo, de la mandam notícias do grandíssimo amor que dizem sentir por essa terra. Amar a Bahia a distância é fácil quero ver é amar aqui em que os homens mijam na rua e as mulheres sempre tiram fotos de costas, publicam em redes sociais, como se a bunda redimissem a feiura da estupidez.
Aqui é Bahia: para dizer que são defensores da democracia usam o chicote do medo e ódio para te convencerem o quanto a democracia é boa. Aqui é a Bahia na qual a ética é a ética de quem vence.
Aqui é a Bahia: durante o ano inteiro programas horrorosos de TV mostram sempre pessoas negras como criminosas ou miseráveis, mas quando chega o tempo de programa eleitoral essas mesmas pessoas são apresentadas como estrelas maiores de uma grande farsa televisiva, a farsa da falsa esperança.
Essa é a Bahia em que uma elite industrial-cultural suga nossa cultura popular e a devolve em um bisonho carnaval de “estrelas” fabricadas, sem sentimento ou emoção, mas muito ricas a custa de uma permanente senzala emocional erguida nos escombros da nossa liberdade.
Aqui é a Bahia na qual o povo chama poderosos de “homem”, em uma negação estranha não da própria masculinidade, mas da capacidade de se colocar como alguém de poder ou condições de exercer o poder.
Não se anime menina, aqui é a Bahia das cores alegremente tristes, cores que não refletem o cinza nas entrelinhas das nossas vidas, a Bahia na qual a sensação de felicidade é mais importante que a própria felicidade.
Aqui é a Bahia em que o sobrenome, amizades ou grana valem mais que o talento, pensar além dessas senzalas é um crime punido severamente com a indiferença.
Eu amo essa Bahia, amo essa terra, gosto do meu sotaque, tenho medo dessa terra, mas é o medo que também me faz escrever e dizer que as coisas aqui não vão bem, meu coração como diz uma canção do Gerônimo é a liberdade. Mesmo que trancada em uma senzala, meu coração é a liberdade.


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"A felicidade é uma arma quente”

Eu que nunca saio do meu lugar exílio, imagino como o mundo deve ser lindo. Estou tão fantasma em Santo Amaro que me considero um prisioneiro condenado a devorar-me sem piedade e pouco a pouco ir morrendo de tantas angústias que não há sol a iluminar tanta escuridão.
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Torna-se um monumento não é bom, se isso acontece quer dizer que mesmo você estando vivo, todos vão considerá-lo morto. Tenho a impressão que a natureza só mata alguém quando esse alguém já não interfere nem para o bem nem para o mal na vida…

Carta para daqui a 50 anos

Hoje é sábado, 29 de junho de 2013, São Pedro, últimos dos santos juninos, aqui perto em São Francisco, vai ter show “grátis” do Chiclete com Banana, claro que não vou, tem gente em excesso de suposta felicidade e acho um saco tanta gente feliz junta por quase nada, não que eu seja triste, mas a minha felicidade repousa na linha do horizonte, não se resume a uma multidão insana pulando e gritando: “chicle...tê!!!! Em 2063, o maior plano é tá vivo, curtindo minha velhice e ouvindo as histórias da minha filha, ler essa carta nem que seja com uma lupa daquelas de Sherlock Holmes, talvez olhe para uma foto minha de hoje e diga: elementar, meu caro Ney, tudo no fim deu certo. Não pense, eu de hoje, que meu sonho é só envelhecer, há o recheio, como de um sanduíche que comi certa vez e daria para alimentar um uma fila inteirinha de pau de arara, pau de arara eram caminhões que certamente devem ter levado muita gente minha para São Paulo, gente que por lá trabalhou duro e morreu da mais profund…

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