Meu amor

Sentir saudades do passado por medo do presente é uma saudade doente, doente como esse presente absurdo em que o totalitarismo do mal veste as roupas da democracia e nos serve a carta da dor entre sorrisos cínicos. Esse é o tempo das emoções doentes, das verdades absolutas como única razão de diálogo.
A mendicância da maioria dos brasileiros por direitos chega a ser risível, risível porque mendiga-se e não se luta, aceita com passividade as migalhas que a narco- política oferece, um povo que longe da cidadania se permite capacho só pode causar riso, riso melancólico e fúnebre.
A vida míngua ao vivo na TV e quando morta é enterrada sobre  confetes e purpurinas lançadas das janelas dos palácios da justiça, a anti- justiça, fascista e elitista. O Brasil é o teatro surreal da alegria vã, alegria cárcere de comédias previsíveis.
E a saída?  Ivan Lessa certa vez disse: “O último a sair apague a luz do aeroporto”. Não, eu digo que: vamos acender as luzes, as luzes da vergonha na cara, do amor próprio, vamos ascender às luzes da razão cidadã contra a comodidade prostitua e sifilítica, ascender às luzes do bom senso.
A grande desgraça do Brasil é a conveniência, se é do lado de quem vence não importando se esse lado é do narco- crime ou da sangria desatada da vida de milhões de pessoas, no Brasil a grande política é conveniência, se for conveniente não importa o grau de injustiça que isso traga para a maioria das pessoas, tem que ser bom no individual, as misérias do coletivo são só estatísticas, e estatísticas não falam, não gemem, não passam fome, estatística são números indigentes na conta da anti- cidadania do povo desse país.
Luzes sobre o branco cego da safadeza cidadã e o castelo dos piratas diplomados pela justiça eleitoral vai desabar, mas enquanto cidadania de palha e safadeza forem à sonata dessa república federativa de gente estômago de abutre vamos continuar sentido saudades de cosias não vividas e das nossas doenças espirituais.
ediney-santana@bol.com.br

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