Talvez

Gosto de fotografias, de olhar fotografias, nelas quase sempre há um momento de felicidade estaticamente sincero, mesmo que tenha sido uma farsa, naquele exato momento todos estavam felizes. A vida não é assim, a vida é contradição do sal sobre o doce, do amor em valsa permanente com o possível ódio, a vida é movimento não uma fotografia em que nos causa saudades desse sentir nunca sentido, do viver nunca vivido e do vivido que há muito não nos pertence.
Sempre entendi o amor como uma ampulheta, sempre corre para o fim, nós corremos para vivermos dele o melhor, o melhor sempre está na parte de cima da ampulheta, quando caímos para parte de baixo nos afogamos nas nossas próprias emoções, agora estranhas e perversas ao nosso próprio gostar.
Às vezes acho que é impossível da vida saber o sabor exato da magia dessa palavra: amor. Hoje, dia 01 de janeiro de 2013 não quis sair, há festa na casa do Herculano, mas fiquei com minha mãe, porção mágica da minha alegria sensível, hoje é dia de me fazer uma fotografia, ter meu momento estático de felicidade.
Viver é isso, não temer a parte de baixo da ampulheta, se apaixonar pela magia que vem do Planto Central, viver é isso, saber da alegria e de que tudo vai e vem, saber que o tempo já passou e nós ainda rezemos para o ontem quando a alegria é esse viver agora.

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