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Carta a Letícia Palmeira

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Tem dias que o melhor mesmo é nos recolhermos ao singular do que somos, fazer do próprio coração caverna abrigo para nossas mais modestas paixões e nos esquecer da linha tempo tempestade na sua verdade ácida que nos esfola lágrimas. Ouço Corelli, me permito a sua leveza, leveza tão cara ao meu espírito arame farpado, mas há em algum lugar um céu tão doce quanto a melodia quase silêncio que aqui escuto. Caio do quarto andar direto na folha seca a brigar com meu desassossego, sou relâmpago que não fere, dor a não sangrar corpo estranho, tudo que é ácido é só meu. Brinco na cama vazia, nasci para a mais profunda solidão desses momentos gelo e morangos pedra sabão. Nem todos nascem para a ciranda de ser com outro feliz, nasci para encerar em mim minhas paixões, cansado minha alma enferruja, escrevo quase palavras e nesse quase traduzo minha cansada verdade de que sou e não existo. Talvez devesse escrever autoajuda, mentir para mim. Ri sabores azedos na clama gasta, talvez fosse verdade a…