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Mostrando postagens de Dezembro 27, 2012

Febre

Não me traga remédios, hoje quero a febre em vinho tinto de fel e amêndoas, amêndoas daquelas do pé que fica perto do Colégio Senador Pedro Lago, são amargas como todas amêndoas, mas me lembram a infância em que a febre era só sintoma de uma gripe tola. Às vezes olho pessoas na rua e penso que algumas nunca deveriam morrer, eu não, devo morrer todos os dias, perder as cascas como uma barata desses de rua, até não sobrar mais nada, nem um verbo teimoso na ponta da língua estúpida. Há muitas maneiras de cometer suicídio, uma delas é cultivar dores, dor sobre dor, ir provocando inflamações no corpo até que um dia alguém nos encontre deitado na cama, olhos ao nada. A humanidade não ta nem aí para essas coisas que morrem, mas algumas pessoas fariam festas, farão festas. Deito e olho para estrelas, tão distantes e tão próximas, nas estrelas há a escuridão da luz e o absoluto do silêncio, o medo não tem sentido algum quando se está decidido pouco a pouco escalar astros e morrer na escuridão…