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Ao sol da tarde

Quando chega a tarde passam os homens e mulheres, voltam contentes para casa como pingos de chuva depois que evaporam e voltam felizes as nuvens, andorinhas voltam para casa e é tão bonito ver as andorinhas se empoleirarem nas árvores da Purificação. Sol da tarde no nordeste quando finda tem Ave Maria no boteco do Mariano, é tão bonito as pessoas que compram pão na padaria e levam para casa, o sol da tarde quando esfria da vontade de chorar.
Quando é sol do fim de tarde a maré traz água do mar para encher o rio, minha casa fica como se todo silêncio do mundo nascesse aqui, a rua é tão triste como os aviões que sempre passam entre as torres igreja da Purificação.
Para que canto de mundo será que vão as pessoas que voam com os aviões que deixam esse rastro de fumaça nas nuvens? Quantos mundos há? E quantas palavras serão necessárias para dizer desses mundos coisas felizes?
Crianças brincam de bola na frente da Santa Casa, me encho de alegria pela bola que foge do gol no momento em que o jogador se quer mais importante que ela. Mas é uma alegria tola, também quero o gol, como quero os lábios negros desse anjo que voa comigo nas minhas noites insones.
Não há mais namorados no jardim, parece que há vergonha de demonstrar afeição e carinho em público, o ódio vence os namorados e a ternura. “Te amo” parece algo tão antigo que estranhamos em dizer e  ouvir. Quando era criança, ia à praça com meu pai, sempre havia namorados no jardim, era bonito, delicado como essas acácias que só nascem no natal.
Os olhos querem agora outros sabores, outras cores, o sol é o mesmo, mas algo não se faz poesia neste fim de tarde sem afeição. O Bar Vermelho fechado, o Bistrô está triste com a tristeza do Periquito. O sol da tarde faz frio neste meu coração de compassos infiéis.
Quis guardar o mundo e me perdi nos corredores das emoções suburbanas das dores minha, fiz das afeições corredores secos e sem luz, afoguei com meu amor a mim mesmo e quem apenas bateu a porta. O excesso de amor e paixão fere mais que a ausência desses sentimentos.
O sol da tarde sento no adro da Igreja da Purificação, olho a praça que me olhar nestes tons de quase velhice, logo aí estávamos certo dia, o mundo era o possível de ser mudado, o mundo era o possível do amor que tínhamos, o sol da tarde deixa tudo mais saudosista, sinto frio, alguém chama meu nome, na torre da igreja a princesa encantada diz ser a mãe desses dias sem paz.
O importante? Lembrar sempre que se necessário morrer, lamber as próprias feridas, mas nunca esquecer de não machucar pessoas, algumas dores não tem volta, amores nem sempre são do bem. Há algo no organismo, como se fosse um vulcão, ele vai explodir, de dentro vai sair margaridas e amoras para na praça renascermos depois de amanhã.

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