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O problema é a questão

A doença que mais mata no país é a indiferença social do próprio povo para consigo mesmo, como se fossem imunes às próprias dores marchar-se para o abatedouro público gerenciado por memoráveis abutres. Marcha o povo para seu calvário sem demonstrar tristeza, revolta ou algum tipo de sentimento que nos possibilite identificar seres humanos em completo controle das próprias vidas. Cantam o hino do seu time de futebol, que é seu coração, porque a alegria do povo é tão previsível quanto dois times medíocres disputando um BAXVI, o flagelo social tem como base o povo, cada vez mais povo e cada vez menos cidadão.
Tudo que for ruim no seio do povo chega com mais intensidade, assim como a felicidade chega fragmentada, ao povo toda esperança e negação histórica do seu próprio passado, o povo vive tão somente o futuro, seu presente é cultuar a esperança assassina dos seus demônios políticos, a memória é a maior inimiga da política brasileira, o povo vive sem memória, desconhece a própria história pessoal e aplaude com entusiasmo quando à polícia mata um ladrão de cuecas, entusiasmo potencializado quando vai as urnas votar nos mais genocidas e perigosos bandidos do mundo que é a soma de quase todos políticos brasileiros.
A tese da Alienação pensada por Karl Marx deve ser revista, nem a todos os povos pode ser aplicada, Karl Marx era cientista social, certamente ficaria fascinado em saber que no Brasil o povo não precisa de nenhum ditador para ser coagido, que no Brasil o próprio povo se martiriza desde que tenha uma música tocando em que mulheres possam “descer até ao chão” rasgando seus ventres na emudeci de uma vida culturalmente medíocre e sem propósito, desde que aparentemente levem vantagem em algo, desde que a desgraça sempre esteja na casa do vizinho.
O povo brasileiro pensa que é espertinho, engraçadinho, felizinho e por isso mesmo carrega o próprio andor das dores pensando sair no lucro quando nunca vão passar do inferno em que vivem, as desgraças desse país vem de um povo que não se entende como nação, que nega a natureza do Estado como base da democracia é por isso que por aqui notáveis canalhas são elevados à categoria de santos, o Estado brasileiro faz o que qualquer vereador de esquina faz: assistencialismo, a maneira pós-moderna do velho voto de cabresto, quem tem cabresto sabe também o povo que tem.
Um Estado mistificado no deliro de partidos pervertidos que de tão alienados entre o dinheiro e o poder como um fim em si mesmo veem a si mesmos como um Estado messiânico quando não vai além de um Estado demente e inoperante.
O Estado brasileiro há muito perdeu sua autonomia, decorativamente temos a presidência da república e os mais dois poderes ausentes efetivamente da vida concreta do país, o Estado brasileiro é gerenciado por perigosas organizações que aqui chamamos “empreiteira”, “empresas”. Enquanto bons empresários trabalham duro neste país, as norco- empresas sangram nossas veias, ganham licitações milionárias para não construir nada e se por acaso essa corja for presa nem algemas vão usar, temos a “lei” da algema, símbolo máximo  de uma país no qual a ordem inversa impera.
É um erro colocar todas responsabilidade desse abismo social na conta de políticos ou narco- empresas, é uma tolice pensar assim, a base disso tudo vive no coração de uma povo que insiste negociar sua cidadania, por isso mesmo não reage, não cobra, porque sabe que não pode colocar um dedo na cara de uma       “autoridade” e lhe exigir ao menos respeito, porque negociou com essa mesma “autoridade” seu voto, sua cidadania.
Se o povo desejasse e tivesse autonomia política para isso em poucos dias nasceria um novo Brasil, mas quem quer o novo Brasil? O Velho e bom Brasil serve muito bem para todos que aqui vivem: “Carpe Diem
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